quinta-feira, 30 de abril de 2015

Batalhão Especial Prisional (BEP) será desativado na próxima semana.


O Batalhão Especial Prisional (BEP), em Benfica, será desativado na próxima semana. A medida é fruto de um acordo entre o secretário estadual de Administração Penitenciária, coronel Erir Ribeiro Costa Filho, e o comandante da PM, coronel Alberto Pinheiro Neto. Com o fim do BEP, seus 231 presos irão para a Penitenciária Vieira Ferreira Neto, em Niterói, que será destinada a detentos da área de segurança pública — além de PMs, agentes penitenciários, policiais civis, federais e rodoviários federais.

Na década de 1990, a unidade de Niterói recebeu bicheiros e ficou conhecida como Sítio do Pica-Pau Amarelo, por causa da maneira como viviam os contraventores — a prisão seria uma espécie de fábula. Na quarta-feira, 42 policiais civis, federais, rodoviários federais e agentes penitenciários que estavam em Bangu 8 foram transferidos para o local.

O BEP será transformado em presídio de regime semiaberto, e sua gestão ficará a cargo da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). Com isso, o órgão ganhará mais vagas (cerca de 300). Segundo Erir, a ideia de extinguir o BEP era antiga, da época em que foi comandante-geral da PM (2011-2013)

— Sempre pensei em acabar com o BEP. Era um presídio problemático, que sofria muitas críticas da sociedade — disse, acrescentando que a medida acabará com o corporativismo na guarda dos PMs.

Com a desativação, os seis oficiais e 180 praças que trabalhavam na unidade vão atuar no patrulhamento de ruas. Na Penitenciária Vieira Ferreira Neto, a guarda dos presos será feita por inspetores de administração penitenciária. O diretor da unidade será um coronel da PM indicado pelo comandante da corporação.

O coronel Alberto Pinheiro Neto comemorou o fim do BEP:

— Essa medida é muito positiva para a Polícia Militar, pois transfere para a Seap, que é o órgão competente, a administração de uma unidade prisional e, ao mesmo tempo, recupera efetivo para a atividade-fim, que é o patrulhamento de rua. Gera ainda uma economia de custeio na operação do presídio.

GELADEIRAS E CERVEJAS NAS CELAS

Os detentos que cumpriam pena na Penitenciária Vieira Ferreira Neto, grande parte composta por idosos e doentes, foram levados para Bangu 8, onde o acesso a hospitais do sistema é mais fácil.

A decisão de desativar o BEP foi elogiada por Julita Lemgruber, socióloga e coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes e e ex-diretora do Desipe. Segundo ela, a medida é importante para evitar privilégios:

— É importante que todas as pessoas privadas de liberdade fiquem sob a responsabilidade de uma única administração. Isso vai evitar distorções.

Para o promotor Paulo Roberto Mello Cunha Júnior, da Auditoria Militar, o fim do BEP representa o fim do corporativismo com os presos militares:

— Acho que a História provou que o BEP não deu certo. É uma tarefa das mais difíceis uma instituição ter que ser carcereira de seus próprios membros.

O BEP foi palco de vários escândalos. Em 2012, um relatório da Vara de Execuções Penais do Rio (VEP) mostrou que os presos daquela unidade tinham 109 geladeiras, 52 micro-ondas, 102 televisores, 63 cafeteiras e uma máquina de fazer frango assado, além de panelas elétricas, aparelhos de som e máquinas de lavar roupa. Em março de 2014, numa inspeção, foram encontrados nas celas cerveja, aparelhos de ar-condicionado e outros eletrodomésticos.

FONTE: SOS PMERJ

Um comentário:

  1. os bandidos que lesaram o país, tem prisão domiciliar, por que não conceder esse direito aos policiais, que ainda nem foram julgados.

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