terça-feira, 16 de junho de 2015

Perto de completar 40 anos, militar do Rio decidiu encarar a obesidade de frente quando chegou aos 120 kg. Ela conta que a nova forma física é fundamental para exercer sua profissão

O estalo veio com uma fotografia, enviada por correio pela cunhada. Patrícia Sevecenco estava às vésperas de completar 40 anos e não reconheceu que era ela mesma embaixo daquela blusa preta. Já fazia quase dez anos que a aprovação no concurso público para ingressar no Corpo de Bombeiros fez com que ela morasse no Rio de Janeiro, distante da família paulista. Com aquela foto em mãos, lembrou que nesta mesma década não havia mais subido em uma balança. Subiu. E os ponteiros na casa dos 120 quilos – para 1,75 de altura -a convenceram de que era hora da virada.




Patrícia Sevecenco decidiu mudar de vida quando a cunhada mandou uma foto sua pelo correio: 'Não dava mais para esperar'. Foto: Arquivo pessoal

“A obesidade sempre foi um assunto na minha casa. Perdi minha mãe por infarto e meu pai por AVC antes dos 65 anos, sendo estas doenças relacionadas ao excesso de peso deles. Eu e meus irmãos sempre fomos gordinhos e nada saudáveis”, lembra Patrícia hoje, com apenas 10% de gordura no corpo e adepta da malhação de domingo a domingo.


“A obesidade sempre foi um assunto na minha casa. Perdi minha mãe por infarto e meu pai por AVC antes dos 65 anos

“No meu caso, nunca havia passado dos 85 quilos. Até que com aquele bendito retrato suspeitei que havia extrapolado os limites. Dito e feito. Não dava mais para esperar”, pontua ela que é mãe de três filhos e credita que a solidão em terras cariocas foi uma das impulsionadoras para que os doces, junk food e refrigerantes se tornassem companhias diárias.

Entre o susto com a fotografia e a decisão sobre qual caminho seguir foram incontáveis macarronadas, sonhos, chocolates. Na internet, também encontrou dietas extremamente restritivas, pactos de jejuns e outras artimanhas sem comprovação científica que, além do efeito sanfona, fizeram com que os marcadores chegassem aos 140 kg. No trabalho, ela desempenhava funções que não exigiam condicionamento físico. Então, surgiu a oportunidade de fazer uma cirurgia de redução de estômago.Arquivo pessoal
Patrícia: 'Emagreci para me salvar. Estava precisando de ajuda'

“Perdi 40 quilos com a cirurgia bariátrica e parei nisso. Sem apoio psicológico, não ‘emagreci’ meu cérebro. Continuei estacionada na obesidade, sedentária e com vergonha de mim.”

Até que, com os 100 quilos persistentes, a filha trouxe o empurrão necessário para eliminar o que o bisturi, sozinho, não era capaz. “Pâmela propôs uma malhação em parceria. Topei. E com todo descrédito do mundo, subi pela primeira vez em uma esteira”, relembra Patrícia que terminou a sessão sem fôlego, mas com ânimo para voltar a malhar no dia seguinte.

Na academia em que fez matrícula, Patrícia recebeu orientações sobre exercícios físicos. Em companhia da filha, passou a cozinhar a própria comida com as receitas que colhia no mundo virtual. O paladar passou a saborear todos os legumes que ela insistia em torcer o nariz e dizer que odiava.

Segunda-feira era dia de ginástica. Terça-feira também. Os sábados foram ocupados pelos supinos e flexões, assim como os domingos. Em poucos meses, a gordinha que odiava malhação havia se tornado habitué de todos os aparelhos, pesos e aulas que, desde então, consomem três horas religiosas dos dias da bombeira, sete vezes por semana.

Em um ano com esta rotina, a transformação paulatina e, ao mesmo tempo, radical, fez com que Patrícia Sevecenco eliminasse 25 quilos. No quartel, passou a levar marmita para todos os colegas e dar dicas sobre cozinha saudável. Começou um trabalho de definição muscular focado no abdômen, pernas e braços. Patrícia, ex-obesa, chegou aos 77 quilos e recebeu um convite feito por um amigo de academia: “Que tal participar do concurso de fisiculturistas do Rio de Janeiro?”.

Para esquecer, de vez, a silhueta exibida naquela fotografia com a blusa preta, a bombeira concordou e fez a inscrição para a competição em Cabo Frio. “E ganhei”, relembra do título conquistado em 2013.
“Hoje, me sinto apta para salvar outras vidas e ajudar outras pessoas. Esta é a minha missão

Apesar da autoestima ter sido moldada com a rotina de musculação e com a vitória no concurso, Patrícia diz que a profissão foi uma das grandes beneficiadas com a transformação corpórea. “Emagreci para me salvar. Estava precisando de ajuda. Hoje, me sinto apta para salvar outras vidas e ajudar outras pessoas. Esta é a minha missão e o que eu sempre desejei quando escolhi ser bombeira.”

FONTE: IG

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