sábado, 12 de setembro de 2015

Hospital Central da Polícia Militar fecha o Setor de Psiquiatria por falta de médicos

Setor de Psiquiatria do Hospital Central da PM com as portas fechadas 
“Nem o médico aguentou”, informa, por telefone, a atendente do Setor de Psiquiatria do Hospital Central da Polícia Militar (HCPM). Devido à falta de profissionais, os atendimentos a pacientes com distúrbios psiquiátricos na unidade foram totalmente suspensos há duas semanas. Dos seis psiquiatras que trabalhavam no ambulatório até o fim de junho, só restou um. De acordo com médicos do HCPM, três deles pediram baixa e deixaram a corporação, enquanto outros dois estão de licença médica — um por problemas psiquiátricos gerados, ainda segundo os colegas, pela sobrecarga de trabalho no setor.
Na tarde de ontem, em visita do EXTRA ao HCPM, as duas portas do Setor de Psiquiatria, no primeiro andar do hospital, estavam fechadas, sem funcionários para receber possíveis pacientes. Colado na parede, um ofício assinado pelo tenente-coronel médico José Mário de Luca, “diretor eventual” da unidade, avisava que os atendimentos estão “temporariamente suspensos”.
— Aconteceu com os médicos o mesmo que acontece com os policiais na rua. A quantidade de pacientes aumentou, e eles não estavam conseguindo lidar com a sobrecarga de trabalho. Às vezes, ainda havia psiquiatras no hospital às 2h da manhã para que todos fossem atendidos — afirmou um dos médicos ouvidos pelo EXTRA, que pediu para não ser identificado.
Aviso colado na parede do HCPM
Aviso colado na parede do HCPM Foto: Luã Marinatto
O atendimento também é prejudicado pela falta de lugar para internação. Até 2014, a PM tinha convênio com duas clínicas particulares, onde os pacientes com distúrbios mais sérios eram acolhidos. Em meados de 2014, o acordo não foi renovado. Por isso, até duas semanas atrás, antes de ser fechado, o Setor de Psiquiatria só ficava responsável por consultas e emergências. O HCPM atende policiais da ativa, reformados e seus parentes.
— O trabalho do PM é extremamente estressante. Ele vai no limite da capacidade emocional e está sujeito a reações psíquicas violentas. Se não tem o acompanhamento médico para que ele possa executar a função com tranquilidade, como fica? — questionou Vanderlei Ribeiro, presidente da Associação de Praças da PM e do Corpo de Bombeiros, dizendo-se preocupado com um suposto “movimento para forçar a privatização do serviço de saúde” da corporação.
Setor de Psiquiatria do Hospital Central da PM com as portas fechadas
Setor de Psiquiatria do Hospital Central da PM com as portas fechadas Foto: Luã Marinatto
O HCPM é alvo de uma investigação do Ministério Público do Rio que detectou fraudes na compra de materiais. Uma das aquisições suspeitas é a de 75 mil litros de ácido peracético, que nunca foram recebidos. O Conselho Regional de Medicina (Cremerj) informou que fará uma vistoria na unidade na próxima semana.

Ouça o áudio da ligação feita pelo EXTRA para o Setor de Psiquiatria da PM:

Veja, abaixo, a íntegra da nota enviada pela Polícia Militar:
“Dois médicos estão de licença médica e dois médicos pediram baixa da corporação. Por este motivo, atualmente os pacientes estão sendo encaminhados para hospitais públicos. Há Processos de Licitação para convênio com uma clínica de atendimento ambulatorial e para Clínica de Internação Psiquiátrica. O comando já incluiu no plano orçamentário de 2016 um concurso para suprir as necessidades da área de saúde.”

FONTE: EXTRA

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