domingo, 15 de maio de 2016

Condenado a três anos e 10 meses, capitão é promovido a major e tenente-coronel

A condenação a três anos e 10 meses na 5ª Vara Federal Criminal, em 2013, do tenente-coronel Luciano Martins de Araújo não interrompeu a trajetória de ascensão do oficial na Polícia Militar. Nesse período, ele foi promovido de capitão a major até chegar a tenente-coronel. O problema judicial também não abalou o prestígio dele com a cúpula da corporação. No dia 4, Araújo acompanhou o comandante-geral da PM, coronel Edison Duarte, a uma reunião com o secretário de Esporte, Lazer e Juventude do Rio, Marco Antônio Cabral, para tratar sobre a construção de uma piscina em Olaria, Zona Norte, destinada à recuperação de policiais baleados ou em recuperação física por causa da atuação em serviço.

A foto da reunião foi postada no Facebook de Marco Antônio. O problema com a Justiça Federal de Araújo começou em 2012, quando ainda era capitão e chegou a ser preso. O Ministério Público Federal (MPF) recebeu gravação na qual era atribuída ao oficial a frase: “Vou detonar. Já respondi por homicídio, sentei no banco dos réus e não tenho medo.”


Araújo (esquerda) abraça o secretário e o comandante-geral da PM

A declaração teria ocorrido com ex-funcionários da Alfaseg Vigilância e Segurança, no Hospital do Andaraí, empresa da mulher dele. Os vigilantes gravaram o áudio do encontro. A revolta do oficial, que estava lotado no Estado-Maior Operacional, à época, era porque os ex-subordinados exigiam o dinheiro da rescisão do contrato na Justiça do Trabalho.

Araújo foi condenado por crime de frustração de direito trabalhista e coação no curso do processo, pela Justiça Federal, em 13 de agosto de 2013. Ele recorreu da decisão no Tribunal Regional Federal 2. De 7 a 15 de dezembro do ano passado, o desembargador federal André Fontes autorizou a viagem do oficial ao exterior. O processo aguarda para entrar em pauta de julgamento. Em nota, a PM informou que Araújo está lotado na Diretoria de Pessoal, da Diretoria Geral de Pessoal, e coordena o time de futebol de salão da PM, motivo pelo qual assessorou Duarte na reunião com o secretário de Esportes.

A corporação ressaltou que, como ainda há recurso, não foi instaurado processo administrativo, o que poderia resultar na expulsão do oficial. Segundo a nota, esse processo deve ocorrer se houver condenação em última instância. A justificativa é rebatida pelo advogado constitucionalista Carlos Eduardo Gonçalves de Carvalho Castro. “A seara administrativa independe da judicial. É o que diz a Constituição e o entendimento do Supremo”, afirmou Castro.

FONTE: O DIA

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