sexta-feira, 13 de maio de 2016

Palácio Tiradentes se fortalece como palco de grandes manifestações

Após mudança da capital para Brasília, sede da Alerj passou 12 anos sem atividade legislativa
ROSAYNE MACEDO


Rio - O ano era 1989. O país vivia uma grande efervescência política, no período pós-ditadura militar. Um jovem estudante de História da Uerj engrossava o coro dos que lotavam a praça em frente ao Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Rio. Queria pressionar que as reinvindicações da universidade fossem incluídas na nova Constituição Estadual que era elaborada ali, para se adequar à Carta Magna aprovada um ano antes em Brasília. Aos 47 anos, o professor Adriano de Freixo passa a limpo a história do Palácio Tiradentes como polo irradiador de atos populares.

“O paço da Alerj, no entorno do Palácio, historicamente, sempre foi palco de tradicionais manifestações, como a concentração para a ‘Passeata dos 100 mil’, em 1968, e os movimentos após a redemocratização, entre 1988 e 1989”, relembra Freixo. “Até hoje protestos de servidores do estado sempre acontecem ali em frente”, completa Adriano de Freixo, que é professor do Instituto de Estudos Estratégicos da UFF. 


Após mudança da capital para Brasília, Palácio Tiradentes passou 12 anos sem atividade legislativa, mas se fortaleceu como irradiador de manifestações políticasFoto: Lucas Moritz / Alerj

Para o historiador Milton Teixeira, o Palácio Tiradentes, que sediou a Câmara Federal até 1960, se transformou em um grande “tambor da sociedade” e veio atendendo ao legislativo em todos os momentos mais marcantes da História. “Desde a fusão (dos estados da Guanabara e do Rio), em 1975, até 2016, passando pela redemocratização até a luta pelos royalties do petróleo, o Tiradentes sediou as mais importantes mudanças da história política do Brasil e do estado”, relembra Teixeira, autor do espetáculo ‘Tiradentes, um Palácio de Histórias’, que lotou o plenário por ocasião das comemorações pelos 90 anos do prédio, na semana passada.


Tombado como patrimônio histórico em 1993 pelo Iphan, o Tiradentes tem presença simbólica tão marcante na vida carioca que também esteve no epicentro das grandes manifestações de 2013. Desta vez, porém, os protestos culminaram na depredação externa do prédio e tentativa de ocupação. “Boa parte dos manifestantes com aversão à política tradicional canalizava sua insatisfação contra este que representava o símbolo da política no Rio, e, portanto, identificado como lugar a ser atacado”, analisa.

Pano de fundo para mudanças


Para Adriano de Freixo, as manifestações do final dos anos 80 que tinham o Palácio Tiradentes como pano de fundo nem de longe se assemelham às que o Brasil vive nos últimos tempos. “A sociedade estava muito mobilizada politicamente”, lembra o historiador, sobre o período que antecedeu a primeira eleição direta para presidente, que teve Collor e Lula na disputa. Foi um ciclo de grandes manifestações de rua que começou no final dos anos 70, teve seu auge nas Diretas Já, em 1984, quando o comício da Candelária reunia um milhão de pessoas, chegando até 1989 e 1990. 


“Havia decepção com o rumo que o país tomava com Sarney e as pessoas protestavam para conseguir mudanças. Hoje, existe a descrença nas formas tradicionais de se fazer política. O país vive uma crise de representação. O cidadão comum não se sente representado por seus políticos”, compara.

Fusão trouxe deputados de volta


Após a mudança da capital federal para Brasília, em 1960, o Palácio Tiradentes passou a abrigar, por três anos, a Assembleia Legislativa do antigo Estado da Guanabara (Aleg). O prédio, no entanto, ficou subutilizado durante longos 12 anos, enquanto deputados se reuniam no anexo do Palácio Pedro Ernesto, antiga sede da Câmara Municipal. “O Tiradentes era aberto, esporadicamente, para receber convenções de partidos, congressos e outros eventos”, conta Freixo. Com a fusão dos estados da Guanabara e Rio, em 1975, foi criada a Alerj, que volta, então, a ocupar o prédio, com seus 94 deputados eleitos.

Para Teixeira, hoje há serviços e equipamentos que não podem mais ser feitos no prédio e isso justifica a mudança para outra sede. “É preciso transferir as atividades, permitindo que o palácio se transforme, de fato, no museu vivo da democracia”, afirma. O projeto está em andamento, após a compra do antigo Banerjão para abrigar o anexo da Alerj.

FONTE: O DIA

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