terça-feira, 28 de junho de 2016

Você acredita em Deus?!

Um paciente deu entrada às 10:00h, do dia 26/06/16, no Quartel do Bombeiros de São Gonçalo, em parada cardiorrespiratória, após síncope durante partida de futebol em um colégio próximo ao quartel. 

Por desconhecimento técnico para diagnóstico de óbito do paciente, o Oficial de Dia do quartel, juntamente, com outro bombeiro retiraram o paciente morto do carro, colocaram na ambulância e iniciaram massagem cardíaca. Neste instante, um outro bombeiro foi até ao cassino dos oficiais para me chamar para descer pois tinha acabado de chegar uma pessoa morta, em PCR, no quartel e que estava precisando da minha presença na viatura. Eu, prontamente, me apressei e ao entrar na viatura vi que o paciente estava morto ( pupilas midriáticas, cristalino opaco, sem pulso periférico e central, cianose central, extremidades frias sem circulação periférica, sem atividade elétrica no monitor). Porém olhei para toda guarnição em fila atrás da viatura para revezar na massagem cardíaca, olhei para o paciente jovem, falei para todos : " - Já que estão todos dispostos, vamos lá!" 

E aproveitei para ensinar massagem cardíaca para os combatentes. Desci da viatura entubei o paciente com o tubo 9,0, coloquei no respirador peguei um acesso no braço direito do paciente, coloquei um soro fisiológico e injetei ao mesmo tempo uma ampola de adrenalina e atropina na circulação do paciente. E mandei eles continuarem na massagem. durante 40 min foram feitas massagens ininterruptas no paciente e nada mudava. Foi aonde dei um choque de 200 joule no paciente e mandei continuar massageando. Depois de 50 min apareceu no monitor cardíaco uma atividade elétrica me surpreendendo pois o paciente estava morto. Continuamos as manobras, cardioverti 10 vezes.

Depois de mais ou menos 1h e sem mais esperanças de voltar, dei 5 choques consecutivos no paciente buscando uma regularidade no batimento, foi aonde apresentou um QRS alargado e manteve o rítmo. Apresentou pulsou central. Aumentei a sedação do paciente, fiz uma ampola de bicarbonato, ajustei melhor o respirador. O paciente foi apresentando outra coloração, diminuindo a cianose, quando fui examinar o reflexo pupilar do paciente estavam todos preservados. Subitamente, meu olho encheu d'água com uma vontade absurda de chorar. Sai de perto da guarnição, respirei fundo e fui falar com os familiares e perguntei: " - Vocês acreditam em Deus? Se acreditam agradeçam e se não acreditam, dobrem os joelhos e comecem a orar pois ele estava morto e voltou a viver!" Hoje, o paciente, encontra-se no CTI 4 no Hospital Estadual Alberto Torres.

Cap Med BM Rômulo Campos de Paula

"Vida alheia riquezas salvar."
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