domingo, 24 de julho de 2016

Bombeiro militar fez planejamento para virar milionário

Cerca de 70% dos servidores recorreram a empréstimos nos últimos dois anos, no Rio


Káthya Almeida prefere não mostrar o rosto, masorganizou as finanças com um planejador 

Atravessar uma crise financeira sem receber o salário em dia é o drama de servidores estaduais que decidiram se unir e formar um grupo para aprender a poupar. A meta é guardar o equivalente a uma remuneração mensal. A proposta do coordenador de Educação Financeira do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Luiz Antônio Leal, é formar um colchão de reserva para os meses de incerteza em relação ao pagamento e para os casos de emergência.

O projeto, porém, tem um desafio a mais: restabelecer a saúde orçamentária dos funcionários públicos que já estão endividados. Cerca de 70% do funcionalismo estadual recorreram ao crédito consignado nos últimos dois anos, segundo estimativas feitas pela Escola de Educação Financeira.

As categorias que mais têm empréstimos são policiais militares e bombeiros, seguidos por professores e pensionistas. Por isso, cerca de 40 servidores da Educação, do Rioprevidência e da Assembleia Legislativa do Rio passaram a se reunir na Alerj, quinzenalmente, para compartilhar desafios pessoais e receber orientações.

— Se organizar com a instabilidade e as mudanças nos pagamentos dos vencimentos é complicado. Mas consegui me planejar para pagar minhas dívidas mais caras até dezembro. Ainda assim, vou precisar de mais três anos para quitar as contas com todos os credores. O mais difícil é conter os impulsos e fazer certos sacrifícios pessoais. Eu voltei a morar com minha mãe para poupar o dinheiro do aluguel — disse a servidora Káthya Almeida, de 58 anos.

Durante os encontros, o grupo faz sessões de terapia em que experiências pessoais são compartilhadas.

— Um terço do grupo tem um nível de endividamento grave. Quando esses servidores recebem seus salários, o dinheiro só dá para um ou dois dias. Por isso, a ideia de economizar um salário será desenvolvida ao longo de um ano — disse o consultor financeiro Luiz Antônio Leal.

O endividamento afeta o planejamento das aposentadorias.

— Há servidores adiando seus pedidos de benefício por conta de dívidas — declarou a coordenadora do grupo na Alerj, Geiza Rocha.

Consignado complementa a renda


Carlos Batalha vai orientar policiais militares Foto: Fabio Guimaraes / Fabio Guimaraes

Ocupando a primeira posição do ranking com o maior número de consignados, policiais militares participarão, amanhã, de um curso de planejamento oferecido pela Escola de Educação Financeira. Entre as orientações para quem quer aprender a negociar dívidas, está a opção de portabilidade de empréstimos para instituições financeiras com taxas de juros menores, além de dicas de organizações especializadas em ajustar orçamentos familiares.

— Nós já promovemos esta discussão com o Corpo de Bombeiros e, agora, vamos orientar os policiais. Muitos servidores passaram a complementar suas rendas com os consignados, e chegaram a ultrapassar o limite legal de 30% (de comprometimento do salário com a prestação). Muitos bancos oferecem ampliações dos prazos de pagamento, mas isso é um erro. É preciso buscar trocar uma dívida mais cara por outra mais barata — disse Carlos Batalha, gestor da escola.

Segundo ele, há servidores que se inscreveram em mais de nove cursos gratuitos oferecidos pela instituição, por causa do elevado nível de comprometimento orçamentário. A Escola de Educação Financeira propõe um desafio para iniciar uma poupança em 52 semanas. Confira abaixo:


Segundo a Secretaria estadual de Fazenda, hoje, existem 236 mil ativos, inativos e pensionistas com créditos consignados no Rio, de um total de 472 mil vínculos.

Um decreto estadual publicado em janeiro deste ano ampliou de 60 para 84 meses o prazo máximo para amortizações de empréstimos pessoais, cartões de crédito e financiamentos concedidos por instituições financeiras ou entidades abertas ou fechadas de previdência complementar para os servidores. De acordo com a Secretaria estadual de Planejamento, o decreto não alterou nenhum contrato em vigor. Isso significa que as parcelas continuam sendo descontadas normalmente dos contracheques dos funcionários.

Bombeiro militar fez planejamento para virar milionário


Cabo Anderson poupa 10% da remuneração todo mês Foto: Pollyanna Brêtas

Um livro abandonado dentro do carro por mais de um ano mudou a vida de um cabo do Corpo de Bombeiros. O militar Anderson Carvalho Santos, de 34 anos, foi seduzido por uma obra sobre planejamento financeiro empoeirada, que prometia transformá-lo num milionário com economias mensais, investimentos e disciplina na hora dos gastos. Ele usou a Calculadora do Cidadão, disponível no site do Banco Central (BC), para estimar o tempo necessário para atingir seu objetivo. A ideia é depositar 10% da remuneração mensal e poupar o 13º salário pelos próximos 18 anos.

Além disso, será preciso aplicar as economias em fundos de investimento. No cálculo, o cabo Anderson, há oito anos no Corpo de Bombeiros, também levou em consideração as progressões de carreira dentro da corporação.

— O livro foi o primeiro passo, mas também fiz cursos na Escola de Educação Financeira e já dei palestras a colegas que não conseguem organizar seu orçamento. Muitos ficam impressionados de ver como consigo passar pelos atrasos de salário sem sobressaltos. Não é fácil convencer a família, mas somos disciplinados e não fazemos extravagâncias — revelou o militar.

FONTE: EXTRA

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