segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Cursinhos sofrem com vetos a novos concursos públicos e perdem até 20% das matrículas


Cursinhos buscam alternativas para voltarem a ter salas cheias 

Os cursinhos preparatórios para concursos públicos sentem os vetos, por parte dos governos federal e estadual, em relação à abertura de novos processos seletivos. Segundo os coordenadores, sem vagas em disputa, a diminuição do volume de matrículas ficou entre 10% e 20%, no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2015. O Ministério do Planejamento confirmou que a suspensão de novas seleções deve continuar em 2017. Já o governo do estado decretou que novas provas não deverão ser aplicadas até junho do ano que vem. Cursinhos como a Academia do Concurso Público, a Degrau Cultural e o Gran Curso Online, por exemplo, explicaram que a redução no volume de matrículas já era esperada.

— Tivemos uma queda de 10% no número de matriculados. De agosto de 2014 a agosto de 2015, tínhamos dez mil alunos. De agosto do ano passado para cá, o número de estudantes caiu para nove mil — informou a Degrau Cultural.

O controle do governo foi sentido, também, pela Academia do Concurso Público. O curso até registrou aumento no número de alunos, mas impulsionado por uma nova política.

— Nos empenhamos em produzir cursos alternativos, com núcleos por disciplinas. Isso barateou os custos. Com isso, aumentamos o total de matriculados, mas reduzimos o tamanho dos contratos — disse Paulo Estrella, diretor-pedagógico.

Os preparatórios sustentam que, mesmo com a crise do setor público, a área segue como a mais atrativa.

— O trabalhador que quer estabilidade vai procurar o setor público. Este sempre será atrativo — afirmou Gabriel Granjeiro, diretor-pedagógico do Gran Curso Online.

Tempo para se preparar

A regra entre os concurseiros — como são conhecidos os alunos que investem nos estudos para ingressar na carreira pública — é iniciar agora os estudos de olho na abertura de vagas daqui a algum tempo. Quem vive dia a dia de olho nas provas reforça que o investimento continua valendo a pena para aprovações futuras.

— O setor público vive numa encruzilhada (com as restrições de novas seleções). Vamos ter concursos sempre. Teremos períodos em que a oferta será menor. Em outros, será maior. A queda (no número de processos seletivos abertos) existe, mas, para quem está interessado em passar, a regra é investir para ser aprovado no médio ou no longo prazo — disse Paulo Estrella, da Academia do Concurso.

O histórico joga a favor dos concurseiros. Em 2011, os governos seguraram, ao máximo, os lançamentos de processos seletivos. Em especial, a esfera federal. No ano seguinte, a consequência foi uma sequência de provas nas mais diversas áreas.

— O setor público mostra essas características. Os entes do Executivo pedirão reposição, o que levará a uma abertura forçada de vagas daqui a alguns meses — lembrou Gabriel Granjeiro, do Gran Cursos Online.

Os cursinhos reforçam que, apesar dos vetos do Executivo, o Judiciário e o Legislativo (federais e estaduais) não anunciaram qualquer impedimento para concursos. O Ministério do Planejamento afirmou que há dois os processos abertos: para o Ministério da Ciência e Tecnologia e para o Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Depoimentos

Matheus Drumond — Estudante, de 24 anos, com foco na área fiscal: ‘Estudo agora de olho nas provas do futuro’

“Vou completar um ano de curso agora em setembro. Quando entrei, a sala tinha mais de 60 pessoas. Hoje, são 25. Mas o investimento, para mim, funciona para os próximos anos. Entrei sem ter base jurídica e, por isso, a necessidade de preparação. Sei que a aprovação não virá nas primeiras provas, mas vou alcançar isso com o tempo”.

Paulo Estrella — Diretor-pedagógico da Academia do Concurso Público: ‘Não ter reposição levará órgãos ao colapso’

“Uma coisa que não podemos esquecer é que as aposentadorias e as exonerações reduzem o número de funcionários. Não ter reposição mínima pode levar os órgãos a um colapso em suas operações. Isso prejudicará todo mundo. A ninguém interessa o caos no serviço. Os concursos nunca deixaram de acontecer”.

FONTE: EXTRA

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