terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Em novo ato contra privatização da Cedae, servidores avisam: “Não vamos recuar”

Votação na Alerj foi adiada para a próxima semana. Novos protestos foram marcados

O Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais (Muspe) realizou um novo protesto na manhã desta terça-feira (14) em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Com presença significativa de funcionários da Companhia Estadual de Águas e Esgoto (Cedae), os manifestantes são contrários à privatização da empresa - condição imposta pela União para assinar o plano de recuperação e concessão de R$ 3,5 bilhões ao Rio. “Nós vamos mostrar para eles que não vamos recuar. Por isso digo que a onda azul da Cedae invadiu a cidade”, afirmou o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Saneamento Básico e Meio Ambiente do Rio de Janeiro e Região (Sintsama-RJ), Sergio Monteiro. À tarde, os manifestantes seguiram em direção à Candelária, interrompendo por alguns minutos o tráfego nas avenidas Presidente Vargas e Rio Branco, no Centro.

O projeto de lei que votaria a proposta de abertura de ações da Cedae foi adiado para semana que vem, mas os servidores mantiveram o ato. Para a próxima semana, novos protestos já são prometidos. “Isso aqui vai lotar de novo na semana que vem”, afirmou um operador da Cedae, que preferiu não se identificar para manter o emprego. Ele usou como o exemplo a demissão de policiais militares após os protestos no Espírito Santo.



Na tarde desta segunda-feira, o presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB), afirmou à rádio CBN que retirou o projeto da pauta de terça (14) por causa da possível falta de segurança no entorno da Casa. “Com certeza, se eles tivessem a maioria que dizem ter, não perderiam tempo e votariam hoje. Se você tem maioria você vota o mais rápido possível até para evitar uma reviravolta. Não faz sentido a justificativa deles de que estão preocupados com a segurança”, contestou o manifestante.

Participantes do ato desta terça-feira acreditam que a tentativa de Picciani na verdade seria esvaziar o protesto na semana que antecede o carnaval. No entanto, na opinião do auxiliar de saneamento da Cedae, Carlos José, “se o Picciani pensa que vai conseguir esvaziar o ato, está muito enganado. Ninguém aqui está pensando em carnaval.”

Carlos ressaltou que a categoria não quer mais diálogo com a Casa. “Com esse governo corrupto não há mais possibilidade de diálogo. Eles estão para cair. Nosso segundo movimento contra eles, depois de evitarmos a privatização da Cedae, é tirar o [governador] Pezão e o Picciani daí. Não tem mais que haver diálogo com eles não.”

O vice-presidente do Sintsama-RJ, Sergio Monteiro, conhecido como Serjão, concorda que o diálogo não é mais possível, exceto se o governo retirar “todo o pacote de maldades”.

“Não estamos aqui para radicalizar. Temos que ter diálogo com todos os entes. Mas enquanto o estado buscar implementar o pacote de maldades e a venda da Cedae, não tem conversa. Só tiro, porrada e bomba”, afirmou. Prevista para as 15h de hoje, a votação foi adiada para a semana que vem, em sessão extraordinária que deverá ser realizada na próxima segunda-feira (20). A votação continuará nas sessões ordinárias de terça (21), quarta (22) e quinta (23). Protestos também foram programados pelos movimentos sindicais para os mesmos dias.

Segundo os manifestantes, a privatização da empresa responsável pelo fornecimento de água no Rio foi uma aposta do governo do estado. “Eles fizeram uma aposta de que a venda da Cedae, proporcionando em consequência o pagamento do servidor, iria provocar um racha entre os trabalhadores. Eles acharam que o servidor ia ficar contra o pessoal da Cedae. Mas aconteceu o contrário. Eles perderam a aposta e fortaleceram o movimento. Eles não contavam com isso”, afirmou o operador.

Para ele, o governo perdeu o argumento de que, logo após a venda da Cedae, o pagamento dos servidores seriam quitados. “Com a decisão do STF vai levar pelo menos 30 dias para isso acontecer. A tendência foi revertida de venda para não venda da empresa agora. Até porque, sabemos que tem eleições no ano que vem e ninguém vai querer ficar contrário ao público.”

Na última quinta-feira (9), o projeto foi colocado em discussão e recebeu 210 emendas parlamentares, que deveriam ter sido debatidas ontem (13), em reunião do Colégio de Líderes da Alerj. Em função do adiamento da votação, a reunião dos líderes partidários também foi cancelada.

O Muspe atribui o adiamento da votação a uma falta de maioria do governo estadual para garantir a aprovação do projeto. Segundo o diretor do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Saneamento Básico e Meio Ambiente do Rio de Janeiro (Sintsama-RJ), Roberto Rodrigues, a votação estaria tecnicamente empatada.

"Não arredaremos o pé da Alerj enquanto houver chance de [o projeto] ser aprovado. Temos esperança de que não passe, mas esse sentimento apenas reside em nós mesmos, na nossa força, pois acreditar nos políticos, nós não acreditamos mais."

Sobre a possibilidade de um novo confronto com policiais durante o protesto, como aconteceu semana passada, Sergio afirmou que os manifestantes não querem o enfrentamento. “Viemos democraticamente para colocar o pensamento do povo. A vontade popular não está sendo respeitada nesta Casa. A violência vem lá de dentro. Nós apenas resistimos, nos mantendo impávidos aqui na frente. Vamos levar tiro, bomba, mas não vamos sair daqui. Não vamos em momento algum agredir alguém, apenas resistir. Não temos armas, temos escudos.”

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