sábado, 29 de abril de 2017

A BANDA PODRE DO CORPO DE BOMBEIROS

Delator diz que esquema da Saúde do RJ desviou dinheiro do Corpo de Bombeiros

Ex-subsecretário César Romero detalhou como funcionavam as fraudes em licitações para a compra de equipamentos específicos dos Bombeiros, como escada magirus, desencarcerador e lanchas.


Delator diz que esquema do secretário de Saúde do Rio desviava dinheiro dos Bombeiros

OJornal Hoje teve acesso, com exclusividade, a mais trechos da delação premiada do ex-subsecretário de Saúde do Rio de Janeiro, César Romero. Ele revelou em depoimento que o esquema envolvendo o ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes também foi usado para desviar dinheiro do Corpo de Bombeiros.

O ex-subsecretário revelou aos procuradores da Lava Jato como aconteciam as fraudes em licitações para a compra de equipamentos da corporação.

Até 2011, as áreas da Saúde e da Defesa Civil estavam agrupadas em uma mesma secretaria, sob o comando de Sérgio Côrtes, ex-secretário de Saúde no governo de Sérgio Cabral, do PMDB.

Segundo o delator, o esquema envolvia empresas especializadas no ramo, sempre internacionais, que combinavam entre si o preço de oferta.

Esquema de fraude em licitações da Saúde do RJ (Foto: Reprodução/TV Globo)

Cesar Romero detalhou como o esquema funcionava. Segundo ele, o cartel entre as empresas era organizados pelo empresário da seguinte forma:

A Secretaria de Estado de Saúde e a Defesa Civil abriam licitações para a compra de equipamentos para o Corpo de Bombeiros de empresas no exterior e pagava valores incluindo as taxas e impostos de importação;
Os equipamentos entravam no Brasil em nome da Secretaria, que era isenta de impostos;

A diferença era recebida pelas empresas estrangeiras e depositada como propina em contas fora do Brasil;
O dinheiro ia para contas em nome de Miguel Iskin e, depois, distribuído para Sérgio Côrtes e para o próprio César Romero.

Ainda de acordo com Romero, o esquema foi usado para a compra de equipamentos específicos do Corpo de Bombeiros, como uma escada magirus, desencarcerador e lanchas.

O delator revelou que o esquema incluiu, do primeiro semestre de 2007 até 2010, mesadas para funcionários da Secretaria de Saúde, da Defesa Civil e dos Bombeiros.

Segundo ele, o empresário Miguel Iskin pagava R$ 20 mil por mês ao então comandante-geral da corporação, Pedro Marcos. E ele não era o único. Vários funcionários do governo teriam recebido entre R$ 5 mil e R$ 20 mil por mês.

Romero disse que era o responsável pela distribuição. O delator afirmou que pegava o dinheiro na casa de Iskin ou com os funcionários de Gustavo Estellita, sócio de Iskin, que possuía uma espécie de caixa forte, possivelmente uma sala comercial alugada, onde ficavam documentos e dinheiro.

O delator contou também que, em abril de 2010, ao deixar a secretaria, ficou sabendo que o volume desses pagamentos chegava a R$ 400 mil por mês.

Côrtes, Iskin e Estellita foram presos pela Lava Jato no Rio no começo de abril por corrupção e fraude em licitações.

O que dizem os citados?

A empresa de Oscar Iskin negou o envolvimento em qualquer prática ilícita e disse que prestará todos os esclarecimentos às autoridades.

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio afirmou que está entregando às autoridades a documentação solicitada, que os servidores acusados de receber mesada já deixaram a pasta e que não tem nenhum contrato em vigor com a Oscar Iskin.

O Corpo de Bombeiros afirmou que desconhece as investigações, mas está à disposição das autoridades. A corporação informou ainda que o ex-comandante Pedro Marcos está na reserva remunerada. Ele não foi localizado pela reportagem para comentar as denúncias.

Os advogados do ex-secretário Sérgio Cortes disseram que no momento oportuno ele vai elucidar todos os fatos. As defesas de Gustavo Estellita e de Sérgio Cabral não reponderam à equipe de reportagem.

Um comentário:

  1. Aííí como dá uma vontade de falar nomes !!!

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