domingo, 25 de junho de 2017

Alerj vai debater penúria na polícia

Série do DIA sobre dificuldades na operação com a crise ajuda a pautar audiência pública esta semana.





Rio - Na quinta-feira será realizada audiência pública na Comissão de Segurança da Alerj para debater os dados apresentados na primeira parte da série do DIA ‘Rio Sem Polícia’, que, no decorrer da semana, mostrou como a crise financeira tem atingido a Polícia Militar. Promotores e a cúpula da Segurança serão chamados.


Atualmente, o efetivo da corporação é 60% do considerado ideal para realizar um policiamento eficiente nas ruas. Além disso, há 4.000 concursados aprovados, mas o governo diz que não possui verba para contratá-los. Sem dinheiro em caixa, as viaturas estão com manutenção precária. Quase quatro a cada 10 carros da PM estão ‘baixados’. O DIA mostrou que de, 2.657 carros policiais, 990 encontravam-se parados, à espera de reparos, em maio.

Comandantes recebem ajuda de custo de R$ 1.000 mensais para negociar com oficinas os consertos.

Apesar do investimento de R$ 44 bilhões na Secretaria de Segurança desde 2007, mais do que qualquer outra pasta, o arsenal da Polícia Militar encontra-se defasado. Em vistoria recente, o Ministério Público constatou que somente 12 de 39 batalhões possuem armas suficientes e prontas para uso.

Além disso, 22 unidades dependem de doações como legumes, frutas e vassouras. Na próxima semana, O DIA pretende abordar os problemas humanos e técnicos nas delegacias da Polícia Civil. 

APRENDENDO COM A CRISE

Em grande ou pequena escala, a história tem nos revelado que avanços tecnológicos e culturais são movidos por desafios. Nas situações de dificuldade, saímos da zona de conforto e procuramos alternativas para atender às demandas da sociedade.

CEL WOLNEY DIAS FERREIRA,comandante-geral da PM

A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro vive hoje num desses momentos de turbulência. A grave crise financeira e econômica do estado vem impactando fortemente a nossa missão de assegurar, 24 horas por dia, a segurança de todos os cidadãos. Sofremos, assim como outros setores da administração pública, os efeitos da queda da capacidade de investimentos em recursos humanos e materiais.


Num cenário ideal, a Polícia Militar deveria contar com 60.471 homens, 15.042 a mais do que o nosso efetivo atual: 45.429 policiais. Para citar outro número relevante, a crise nos levou a retirar das ruas 500 homens por dia, que eram remunerados graças ao programa RAS — Regime Adicional de Serviço. Temos lutado também com muito sacrifício para manter nossas viaturas em operação.


Contudo, não podemos esmorecer diante do quadro de restrições financeiras. Estamos trabalhando duro, tanto no plano operacional quanto no plano de planejamento, para dar as respostas à expectativa da população do nosso estado. Recentemente, remanejamos a escala de serviço de unidades do Norte Fluminense, possibilitando a vinda de 200 homens para reforçar batalhões da Baixada Fluminense e de São Gonçalo.

Estudos para ações semelhantes estão sendo realizados pela Coordenadoria de Assuntos Estratégicos (CAEs). Nessa mesma linha de racionalizar o policiamento ostensivo, temos feito parcerias muito produtivas com guardas municipais e forças federais de segurança.


Para superar as diferentes dificuldades materiais, temos recorrido à formação de parcerias público-privadas, como o convênio com o Sindicarga para recuperar blindados da corporação.

Na entrada do quartel do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), há uma frase que ilustra o espírito de toda a nossa Corporação: “Não pergunte do que somos capazes. Dê-nos a missão”. Tenho muito orgulho de comandar homens e mulheres que estão ultrapassando com fibra e coragem os obstáculos desse período tão crítico da economia do nosso estado. 


A crise será superada em breve. E nós, por termos aprendido com as dificuldades, estaremos em outro patamar de qualificação profissional.



Fonte: O DIA









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