segunda-feira, 10 de julho de 2017

Ex-governador Sérgio Cabral admite Caixa 2, mas nega propina em depoimento à Justiça Federal no RJ

Depoimentos são referentes às acusações que motivaram a operação Mascate. 'Que 5% era uma coisa que vigia no governo Sérgio Cabral, que maluquice é essa?', diz Cabral.




Ex-governador do Rio Sérgio Cabral prestou depoimento à 7ª Vara Federal Criminal nesta segunda-feira (10) e, pela primeira vez, respondeu às perguntas feitas pelo juiz Marcelo Bretas - até então, Cabral só atendia aos próprios advogados. Ele voltou a admitir o caixa dois e negar vantagens indevidas, dizendo que os 5% de propina pedidos em grandes obras, como acusam delatores, é "maluquice".


Aparentando tranquilidade, o ex-governador e o magistrado só tiveram um momento de discussão mais dura. Bretas quis saber como as doações extraoficiais não significariam contrapartidas às empresas beneficiadas se o governador era, em alguns casos, até mesmo amigo dos empresários. Cabral respondeu que a relação é semelhante a de juízes com amigos advogados.


O ex-governador respondeu que, enquanto esteve no cargo, não houve "toma lá, dá cá".


"Basta o governante discernir e separar um assunto do outro e isso eu fiz, posso garantir à Vossa Excelência e ao Ministério Público Federal. Nunca houve uma contrapartida, seja para empresário A, B ou C por ter me dado recursos (...) oficialmente ou em caixa dois, com temas abordados enquanto governante. Nunca houve propina. Nunca houve propina. Houve apoio", disse ele.


Ele disse que as acusações do MP em relação a uma suposta propina para Cabral de 5% nas grandes obras é "injusta".


"Eu vejo sempre que o Ministério Público, nas acusações, se refere sempre a delatores que falam em 5% (de propina). Nunca houve 5%. Que 5% é esse? Que história é essa? 'Que 5% era uma coisa que vigia no governo Sérgio Cabral'. Que maluquice é essa? Que eu atônito vi essa... Eu estou falando para Vossa Excelência. Há colabroações, há caixa dois, há apoios, eu reconheço"


Sobre caixa dois, ele voltou a dizer que a prática é comum em todo o Brasil é nas mais variadas matizes ideológicas.



Minutos depois, ele disse que as doações extraoficiais são "prática disseminada" e que todos os partidos faziam isso nas eleições, nas mais variadas matizes ideológicas. Bretas, então, questionou se ele tinha conhecimento desta prática nas eleições em que o PMDB, partido de Cabral, foi vitorioso nas eleições à Prefeitura. O ex-governador disse que não tinha conhecimento.



O que diz o MP sobre os 5%?



De acordo com as 13 denúncias contra Cabral, houve um esquema de cartelização de empresas e favorecimento em licitações, mediante pagamento de propina de cerca de 5% em todas as grandes obras públicas de construção civil contratadas junto ao ente público, quase sempre custeadas ou financiadas com recursos federais.


As investigações demonstraram que a organização desviou mais de US$ 100 milhões dos cofres públicos mediante um processo de envio de recursos oriundos de propina para o exterior.



O advogado de Sérgio Cabral mudou a estratégia usada até o momento em depoimentos e disse que ele, diferentemente, dos demais interrogatórios, vai responder às perguntas.


No mês passado, o ex-governador foi condenado pelo juiz Sérgio Moro – responsável pelos processos da Operação Lava Jato em primeira instância – a 14 anos e 2 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele já foi denunciado 12 vezes na Operação Lava-Jato. A última foi por corrupção na área de alimentação e serviços especializados.





Ex-assessor também depõe


O primeiro a depor foi Ary Ferreira da Costa Filho, ex-assessor de Sérgio Cabral. Ele disse que foi a duas empresas apresentar Carlos Miranda aos executivos que repassaram um total de R$ 5 milhões ao braço direito do ex-governador.


O depoente admitiu que sabia que os valores eram de caixa dois. Segundo Ary, as sobras de campanha eram repassadas para compra de imóveis e veículos. As compras ocorriam porque ele foi orientado a "circular o dinheiro" e não correr riscos de assaltos.


No depoimento, ele afirmou também que administrou a logística de campanhas de Cabral, Eduardo Paes e do atual governador Pezão.


Ary é suspeito de pegar o dinheiro vivo desse esquema e intermediar a lavagem de dinheiro e a ocultação de patrimônio. Ele entregava dinheiro para dono de concessionárias de veículos, que contratavam serviços de consultoria da empresa de Carlos Miranda, que também é operador de Sérgio Cabral nesse esquema. Quem delatou o esquema foi Adriano Reis, dono de uma dessas concessionárias.



Atualmente, Cabral está em um presídio em Benfica, onde ficava o antigo Batalhão Especial Prisional (BEP), que foi recentemente reformado.


Em parecer no qual pedia a manutenção da prisão preventiva de Luiz Carlos Bezerra, operador de Sérgio Cabral, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que Cabral é "líder de uma organização criminosa, dedicada a dilapidar sistematicamente o erário público, sem nenhum escrúpulo". O parecer foi protocolado no Supremo Tribunal Federal (STF).


No texto, Janot explica que a prisão preventiva é necessária, já que a organização criminosa "permaneceu ativa muito tempo depois da renúncia do ex-governador Sérgio Cabral", e lembrou que o ex-governador, de acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, "reiteradamente cobrava propina no valor de 5% de todos os contratos celebrados com o Governo do Estado do Rio de Janeiro".


Fonte:  GLOBO NEWS

Nenhum comentário:

Postar um comentário

"O Estado não tem poder algum sobre a palavra, as idéias e as convicções de qualquer cidadão dessa República e de profissionais dos meios de comunicação social." (Ministro Celso de Mello - Supremo Tribunal Federal) - Se identifiquem por gentileza, comentar não é crime!MUITO IMPORTANTE: O foco do movimento é a DIGNIDADE. E é para esse objetivo que o blog existe. Por isso, comentários que não compartilhem do mesmo objetivo poderão ser removidos. Não podemos publicar ofensas! Não insista! Defenda sua ideia ou crítica de forma respeitosa.