segunda-feira, 17 de julho de 2017

MUSPE distribui cestas básicas para servidores do Estado com salários atrasados



Uma delas foi a professora Marilza da Conceição Apparecida, de 79 anos. Aposentada desde 1985, ela conta que nunca viveu uma crise financeira tão grande como a que está enfrentando atualmente. Para conseguir sobreviver, a idosa diz que precisa colocar em prática um outro dom: o de cantora.



— Hoje estou com a minha vida financeira completamente acabada. A minha sorte é que moro em um apartamento próprio, que consegui comprar com meu trabalho como cantora. Mas quem olha a minha despensa ou a geladeira até se assusta. Para se ter uma ideia, estou conseguindo me alimentar porque uma amiga me emprestou R$ 200. Nunca imaginei que fosse viver nessa dificuldade. Consigo tirar um dinherinho quando me contratam para cantar em algum evento, mas até isso está se tornando difícil — conta Marilza, que trabalhou como professora de matemática e ciência em colégios estaduais da Baixada Fluminense.





Uma das primeiras a chegar no local, a educadora social Dijacen Silva, de 57 anos, que trabalha na Faetec de Quintino, na Zona Norte do Rio, disse que está afundada em dívidas e se sentiu aliviada por conseguir pegar alguns quilos de alimentos.

— Estamos enfrentando uma situação que nunca imaginei que fosse passar. Estamos há 22 meses passando por muitas dificuldades para receber. Agora, estou sem o meu salário de maio e junho. Quem consegue viver assim? Estou enfrentando dificuldades financeiras pesadas,dependendo da ajuda dos meus irmãos e da minha mãe para conseguir viver. Estou com todas as minhas contas atrasadas - disse a servidora, que mostrou o que veio na cesta:

- É desesperador e humilhante. Essa é a segunda vez que ganho uma cesta básica. Aqui na minha bolsa tem arroz, feijão, óleo, macarrão, sardinha e farinha. Como na minha casa só vivem eu e minha mãe, a comida dará para o mês todo. Mas queria perguntar ao governador Pezão se ele conseguiria viver com apenas isso?





No final do ano passado, o movimento conseguiu arrecadar 150 toneladas de alimentos, o suficiente para organizar 5 mil cestas básicas. Mas, desta vez, as doações foram em menor quantidade, conta o presidente da Associação dos Servidores do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, Flávio Sueth, voluntário do Muspe:

— Essa crise financeira tem nos deixado muito preocupados. Mas estamos fazendo um apelo para que grandes empresários também entrem nesta campanha e nos ajudem com alimentos e produtos de limpeza. São mais de 200 mil servidores passando grandes necessidades financeiras e se o estado não pode fazer nada, não podemos deixar essas pessoas na mão.

Em nota, a Secretaria de Estado de Fazenda e Planejamento (Sefaz) disse que efetuou, até o momento, o pagamento dos vencimentos do mês de referência maio para 262.146 servidores ativos, inativos e pensionistas, o que representa um total de R$ 1,147 bilhão líquido. Ainda com relação ao mês de maio, faltam receber 205.189 servidores ativos, inativos e pensionistas, em um total de R$ 453,7 milhões líquidos. Já com relação ao mês de junho, faltam receber 216.127 servidores ativos, inativos e pensionistas, em um total de R$ 609,8 milhões líquidos. Não há previsão para os próximos pagamentos.




Fonte:   EXTRA

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