sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Delator do esquema dos ônibus cita Paulo Melo e Jorge Picciani

Funcionário de doleiro afirma que deputados recebiam repasses




O presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), e o deputado estadual Paulo Melo (PMDB), ex-presidente da Casa, foram citados na delação premiada de Edimar Moreira Dantas, funcionário do doleiro Álvaro José Novis. Dantas mencionou como os recursos da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor), cuja contabilidade paralela era operada por Novis, saíam da “conta” de Carlos Miranda, suposto operador do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), e migravam para as “contas” destinadas aos parlamentares.


O presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), e o deputado estadual Paulo Melo (PMDB), ex-presidente da Casa, foram citados na delação premiada de Edimar Moreira Dantas, funcionário do doleiro Álvaro José Novis. Dantas mencionou como os recursos da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor), cuja contabilidade paralela era operada por Novis, saíam da “conta” de Carlos Miranda, suposto operador do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), e migravam para as “contas” destinadas aos parlamentares.


“Que as ordens dos valores que eram repassados da conta do Carlos Miranda para Paulo Melo ou Picciani eram feitas por Serjão, que atuava com Carlos Miranda", diz um trecho do depoimento de Dantas.


Serjão é Sérgio Castro de Oliveira, também apontado com um dos operadores do ex-governador. No depoimento, Dantas não cita valores relacionados aos dois deputados.


Novis afirmou, em delação premiada, que os recursos do caixa dois da Fetranspor eram guardados em transportadoras de valores. Segundo as investigações, o dinheiro era usado para o pagamento de propina a políticos. Dantas fazia o controle das planilhas e dos pagamentos relativos às “contas”.


O doleiro explicou que o responsável por determinar os repasses era o empresário José Carlos Reis Lavouras, presidente do Conselho de Administração da Fetranspor. As planilhas funcionavam como uma espécie de extrato, com as datas em que os recursos foram debitados ou creditados, os valores entregues e saldos. As delações de Novis e Dantas ajudaram na deflagração da Operação Ponto Final, que levou à prisão agentes públicos e empresários de ônibus em julho. Cabral virou réu esta semana em dois processos que tiveram origem na operação.




PAULO MELLO


DEPUTADOS NEGAM


O esquema no setor de Transportes no Rio também apareceu na Operação O Quinto do Ouro, em março. Na ocasião, cinco conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) chegaram a ser presos — foram soltos depois. Picciani foi levado coercitivamente a depor na época.

No documento em que homologa a delação de Novis, o ministro Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça, citou o Legislativo fluminense, sem elencar nenhum nome.


“A prática de crimes relacionados à Fetranspor e envolvendo outras autoridades (além dos conselheiros do TCE-RJ) tem liame (conexão) com os crimes praticados pelos conselheiros do TCE-RJ, pois aparentemente havia um conluio entre autoridades do Poder Executivo, do Legislativo e do TCE junto com empresários para que a empreitada criminosa obtivesse êxito em todas as suas etapas”, afirmou o ministro.

Em nota, Picciani negou as acusações. “Desconheço a sua empresa (de Álvaro José Novis) e qualquer um dos seus funcionários, incluindo o senhor Edimar Moreira, que nem sei quem é. Nunca estive no escritório do senhor Novis, nem sei onde fica. Nunca recebi nada do senhor Serjão nem de qualquer outra pessoa. Trata-se de mais uma mentira jogada ao vento. O desejo de me envolver não pode ser maior que os fatos. As denúncias carecem de provas”, afirmou o deputado

Paulo Melo também refutou o teor do depoimento. “É uma ilação louca e mentirosa. Tenho certeza que o depoimento será desmascarado pela Justiça e que, em alguns casos, os delatores usam nomes de pessoas sérias para conseguir escapar de seus crimes”.





Fonte:  O GLOBO


Nenhum comentário:

Postar um comentário

"O Estado não tem poder algum sobre a palavra, as idéias e as convicções de qualquer cidadão dessa República e de profissionais dos meios de comunicação social." (Ministro Celso de Mello - Supremo Tribunal Federal) - Se identifiquem por gentileza, comentar não é crime!MUITO IMPORTANTE: O foco do movimento é a DIGNIDADE. E é para esse objetivo que o blog existe. Por isso, comentários que não compartilhem do mesmo objetivo poderão ser removidos. Não podemos publicar ofensas! Não insista! Defenda sua ideia ou crítica de forma respeitosa.