sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Salvação fiscal do Rio chega com choro e contrapartidas injustas


Jornal fala sobre destituição de cargos públicos e revisão do fornecimento de ensino superior

O jornal francês Le Monde publicou nesta sexta-feira (8) uma matéria sobre o acordo de resgate fiscal do Estado do Rio de janeiro, firmado na última semana. 

Atolado em uma falência na sequência das dificuldades da Petrobras, o Governo do Estado obteve de Brasília a concessão de 11,1 bilhões de reais de créditos em 2017 e 2018. Mas, em troca, o Rio terá que cumprir com rigor um severo plano econômico.

Monde descreve que Rodrigo Maia soluçou de emoção depois de assinar o plano de resgate do Estado do Rio de Janeiro na terça-feira, 5 de setembro. 

Em tom jocoso, o vespertino fala que a emoção tomou conta do presidente da Câmara dos Deputados no Brasil. Substituindo o presidente Michel Temer, viajando para a China, Maia, descrito como um "político sem sal", soube mensurar o significado histórico de seu movimento.

Le Monde conta que Rodrigo Maia soluçou de emoção depois de assinar o plano de resgate do Estado do Rio de Janeiro 

"Um momento de orgulho", ele comentou, agradecendo ao presidente Temer por lhe ter dado essa oportunidade.

Por outro lado, o governador do Rio, Fernando Pezão estava contido. Sem dúvida, ele tinha em mente os sacrifícios exigidos para a obtenção desse alívio financeiro temporário, fruto de longos meses de negociações, observa o periódico.

O Estado do Rio também estará isento da liquidação da dívida com o governo federal até 2020, economizando quase 30 bilhões de reais. "Com este acordo, o Estado do Rio pagará novamente as suas contas no prazo, para fornecedores, salários, pensões. A partir de hoje começa o retorno ao normal ", comentou o ministro da economia, Henrique Meirelles.

Engôdo

Mas essa mão estendida requer contrapartidas, destaca Le Monde. O Rio terá que seguir um rigoroso plano para retornar a um orçamento equilibrado dentro de cinco anos. Além do esforço planejado, como a venda anunciada da Cedae, existe a possibilidade de destituição de servidores públicos e privatização de outros estabelecimentos como a Universidade do "Estado do Rio de Janeiro (UERJ). 

Pezão inclusive já mencionou uma "revisão do fornecimento de ensino superior", bem como a demissão de funcionários públicos, sugerida em documento pelo Ministério da Economia do Rio.

fonte: JB