domingo, 5 de novembro de 2017

FIM DE ANO EXPLOSIVO PARA O RIO DE JANEIRO, CALICUTE


O final de ano será explosivo no Rio de Janeiro. Não está se falando aqui de queima de fogos em Copacabana, mas dos desdobramentos da Lava-Jato no estado.

Marcia Foletto
















Delator diz que Jacob Barata bancou a maior parte da pré-campanha de Pezão.

Repasses foram feitos em dinheiro vivo para bancar treinamento do então candidato




O marqueteiro Renato Pereira contou em seu acordo de delação premiada, cujo conteúdo foi revelado pelo GLOBO neste domingo, que a pré-campanha do governador Luiz Fernando Pezão, feita a partir de 2013, custou R$ 5 milhões, orçamento decidido em reunião ocorrida no mesmo ano com a presença do ex-governador Sérgio Cabral e do ex-secretário Wilson Carlos, em gabinete anexo ao Palácio Guanabara. O delator afirma que o empresário do setor de transportes Jacob Barata bancou a maior parte da pré-campanha.

Na reunião, o grupo constatou, segundo o relato, que Pezão precisava de atenção especial e antecipada, em razão de sua dificuldade de comunicação. Ao marqueteiro, encomendaram treinamento, apoio em redes sociais e peças de TV.

Segundo Pereira, coube ao então secretário de obras do governo Cabral, Hudson Braga — atualmente preso em Benfica —, cuidar do pagamento pelos serviços, por indicação do próprio candidato ao governo do Rio. Braga não era o tesoureiro da campanha de Pezão. O delator mencionou encontros com o secretário para tratar do tema em seu gabinete.

Emissários teriam enviado R$ 400 mil mensais em espécie, entre o segundo semestre de 2013 e junho de 2014, ao prédio da Prole, sua agência. Outros R$ 700 mil foram pagos diretamente a Pereira por Paulo Fernando Magalhães Pinto, ex-assessor de Cabral já condenado a nove anos de prisão na Lava-Jato.


COBRANÇA NO MERCADO DO PEIXE



Uma nova reunião foi feita em maio de 2014, disse Pereira, no apartamento de Cabral, no Leblon, para decidir o custo total de marketing da campanha de Pezão: R$ 40 milhões. É quase o dobro do valor declarado oficialmente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os registros apontam R$ 21,8 milhões em pagamentos à produtora Cara de Cão, usada pelo marqueteiro. Pereira diz que foi orientado na época a procurar novamente Braga para acertar o cronograma de pagamentos quinzenais.

De acordo com a delação, o ex-executivo da Odebrecht Leandro Azevedo já havia relatado ter pagado R$ 23,6 milhões em dinheiro e 800 mil euros diretamente a Renato Pereira, como forma de financiar a campanha de Pezão e manter “acesso privilegiado” ao governador. Em seu acordo, Pereira repetiu ter recebido valores de Azevedo, sem citar números. No entanto, ele confirmou e detalhou a operação envolvendo o pagamento de euros da Odebrecht no exterior.

Segundo o marqueteiro, diante de dificuldades para receber dinheiro, uma reclamação a Cabral teve efeito imediato: ele foi procurado, em agosto de 2014, por Braga. Marcaram um encontro no Mercado do Peixe, na Barra da Tijuca, ocasião em que Braga o sondou sobre a possibilidade de receber no exterior. O marqueteiro concordou.

Em sua delação, o executivo da Odebrecht diz ter feito uma transferência para conta do Banco Banif, nas Bahamas. Pereira complementou e foi além: era uma conta de doleiro responsável por entregar o equivalente em espécie, no Brasil.

Segundo o delator, além da Odebrecht, emissários de Jacob Barata também entregaram valores em espécie, tanto a ele quanto ao seu sócio Eduardo Vilela. Foi “por volta de dez vezes, sempre a mando de Hudson Braga”, afirmou.





Delator diz que sua agência manipulava licitações do governo do Rio.

Segundo Renato Pereira, contratos de publicidade foram direcionados para a Prole ou empresas sugeridas por ela



Os contratos de publicidade do governo estadual do Rio de Janeiro dos últimos dez anos foram direcionados para a Prole ou empresas sugeridas por ela, de acordo com relato do marqueteiro Renato Pereira em seu acordo de colaboração premiada, cujo conteúdo foi revelado pelo GLOBO neste domingo. Sócios da Prole participaram até mesmo da redação de pareceres e justificativas para notas baixas de concorrentes, com o intuito de controlar as licitações. Segundo o delator, um irmão do governador Sérgio Cabral, o publicitário Maurício Cabral, tinha participação nos lucros obtidos com os contratos.

A participação de Maurício foi decidida, segundo ele, durante um café da manhã no Copacabana Palace, em 2007. O irmão do governador é descrito por Pereira como um “publicitário bastante conhecido no mercado” e figura de seu relacionamento e de seus sócios. As cinco agências vencedoras da licitação de publicidade daquele ano foram previamente escolhidas pelo próprio Sérgio Cabral, de acordo com Renato Pereira.

O delator diz ter sido procurado em 2007 por Ricardo Luiz Rocha Cota, então subsecretário de Comunicação do governo, para que ajudasse na organização de todo o procedimento licitatório, a ser feito no ano seguinte. Pereira designou ao então sócio de criação publicitária da agência, Flávio Horácio Peixoto Azevedo, a função de redigir pareceres e avaliação de propostas apresentadas. Além de Cota, participaram da fraude Regis Fichtner, subsecretário de Casa Civil, e Wilson Carlos, secretário de governo, além de Maurício Cabral, segundo o relato.

Para não correr o risco de ser descartada da licitação, em função de sua estrutura modesta, a Prole participou do processo por meio do grupo Profissionais da Propaganda Reunidos (PPR), ao qual estava vinculada e que ficou entre os cinco vencedores. A empresa de Pereira voltaria a estar entre as escolhidas nas duas licitações seguintes do governo do estado, feitas em 2010 e 2016.

ESTADO PAGOU R$ 229 MILHÕES



Segundo dados oficiais da Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro, desde 2008, PPR e Prole faturaram R$ 229,6 milhões com a publicidade do estado, em contratos decorrentes, de acordo com o relato do delator, das licitações fraudulentas.

Antes mesmo da primeira disputa oficial pela conta, os sócios da Prole já abocanhavam sua parte na publicidade estatal, segundo Pereira. Em 2007, a produtora Carioca Filmes era subcontratada pela então detentora do contrato com o estado, a empresa Eurofort, para registrar vídeos de ações do governo. O favorecimento ocorria com o aval de Wilson Carlos e de Luiz Cota, então subsecretário de comunicação. De acordo com o delator, 90% dos lucros da Carioca Filmes ficavam com a Prole.

Nos anos seguintes, quando a Prole indicava uma agência para prestar serviços ao governo do Rio, recebia um percentual do contrato. Foi o que ocorreu em 2012, segundo Pereira, quando a Agência 3 foi escolhida em licitação para atender a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae).

Segundo o delator, um terço dos lucros desse contrato eram repassados à Prole e outro terço a Maurício Cabral. A Cedae informou que o contrato com a Agência 3 vigorou entre 2013 e 2016 e teve custo de aproximadamente R$ 50 milhões.

Em nota, a Agência 3 negou “as alegações da suposta delação”. Registrou ter vencido licitação “de forma lícita” e prestado serviços “de forma proba, transparente e de acordo com a lei”. A Cedae lembrou que a licitação foi aprovada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). “Não houve solicitação de recurso por parte dos outros participantes”. Ambas dizem estar à disposição para prestar esclarecimentos.

Diretor da Eurofort, Cláudio Barreto afirmou desconhecer as alegações de Renato Pereira e disse que sua empresa trabalha há 15 anos “pautada na ética e de acordo com os termos e condições estabelecidos em contratos”. Ricardo Cota e Flávio Azevedo não quiseram se manifestar. Sócios da Carioca Filmes e Regis Fichtner não foram localizados.




Fonte:  O GLOBO







3 comentários:

  1. Sera que a Casa CAI?!

    ResponderExcluir
  2. Cadeia não é castigo pra quem tem o judiciário no bolso. Esses bandidos devem morrer. Bala neles. Nas ruas em casa nas celas. Enquanto tivermos Gilmar Mendes e os demais ministros comprados tão bandidos quanto esses presos nada mudará. Tiro neles. Quando começarem a morrer talvez os outros se intimidem. Pq assim como está não assusta ninguém. Matar uns deputados uns senadores e uns juízes talvez ajude a mudar tudo isso. Já é um bom começo.

    ResponderExcluir

"O Estado não tem poder algum sobre a palavra, as idéias e as convicções de qualquer cidadão dessa República e de profissionais dos meios de comunicação social." (Ministro Celso de Mello - Supremo Tribunal Federal) - Se identifiquem por gentileza, comentar não é crime!MUITO IMPORTANTE: O foco do movimento é a DIGNIDADE. E é para esse objetivo que o blog existe. Por isso, comentários que não compartilhem do mesmo objetivo poderão ser removidos. Não podemos publicar ofensas! Não insista! Defenda sua ideia ou crítica de forma respeitosa.