sábado, 2 de dezembro de 2017

Com obesidade mórbida, pensionista vive à beira de um colapso diante da crise do estado Leia mais

Situação de penúria dos servidores deve se arrastar para 2018.




Obesidade mórbida, diabetes, hérnia umbilical e pressão alta. Como se não bastasse tantos problemas de saúde, a pensionista da Polícia Militar Alessandra Fernandes Gibaldi, de 43 anos, vive uma situação à beira de um colapso, devido à crise financeira do Estado do Rio. Desde que perdeu o pai, em 2014, ela vem enfrentando dias de penúria sem dinheiro para comprar medicamentos e itens básicos de sobrevivência, como comida e material de higiene pessoal, por exemplo. Pesando quase 200 quilos, há quatro anos dorme sentada porque não consegue respirar direito e tem o sono ainda mais prejudicado por conta da preocupação com as dívidas que fizera ao longo de dois anos, sem receber a pensão nas datas previstas.


— Quando começou a crise, fiquei toda enrolada porque peguei vários empréstimos e tive que refinanciá-los. Agora, a situação piorou, e eu não estou aguentando mais. Meu dinheiro é dividido com a minha madrasta e não tenho mais crédito porque meu nome está no SPC (Serviço de Proteção ao Crédito). Tenho problema de invalidez e tenho que comprar alguns remédios, pois nem todos consigo de graça. Os meus Natais do ano passado e retrasado foram péssimos e, pelo visto, desse ano vai ser a mesma coisa, a história vai se repetir — contou ela, com a voz embargada.

Devido aos empréstimos consignados, o saldo de R$ 2.705 mensais que Alessandra recebe cai para R$ 1.846. É com esse valor que ela tem que se virar para comprar os remédios - que custam mais de R$ 200, comida e tudo mais.

Por conta da obesidade, Alessandra tem dificuldades de se locomover. A última vez que se pesou foi em novembro de 2016 ee estava com 175. Agora, segundo ela, perdeu as contas de quantos quilos a mais deve ter adquirido de lá para cá. Ela contou que, como precisa pagar táxi ou transportes de passageiros por aplicativo para sair de casa e não tem dinheiro, essa semana, não teve como ir fazer um simples exame médico, um hemograma.

— Se pagassem o 13º salário de 2016 logo, a gente teria um alívio. Eles (governo) dizem que a Segurança está recebendo em dia, mas não é bem assim. Eu recebia todo dia 30 do mês e agora recebo só no décimo dia útil. É um atraso pequeno em relação aos outros servidores, mas é um atraso — disse a pensionista.

Desafogo esse que parece estar longe de chegar. Nesta sexta-feira completa 347 dias de atrasos do 13º salário de 2016 do funcionalismo público do estado e não há previsão para que isso aconteça, quiçá o pagamento do 13º de 2017. Isso porque a quitação da ddívida com o funcionalismo está condicionada à liberação de R$ 2,9 bilhões, que serão emprestados ao estado pelo banco BNP Paribas, vencedor do leilão da Cedae. A burocracia seria por causa do Tesouro Nacional, que precisa dar aval à liberação do empréstimo. A quantia que seria utilizada para regularizar os salários dos servidores, porém, ainda segue sem uma nova data definida para entrar nos cofres do estado. A previsão anterior era para o último dia 27, o que não aconteceu.

Além do 13º do ano passado, 67.885 servidores estão sem receber os vencimentos de setembro, somando R$ 353,9 milhões; e 206.893, o de outubro - o que representa R$ 576,7 milhões. Segundo a Secretaria estadual de Fazenda, até o momento, foram pagos integralmente os vencimentos de setembro para 395.472 servidores ativos, inativos e pensionistas, em um total de R$ 1,254 bilhão. Também foram quitados os salários de outubro para 255.810 ativos, inativos e pensionistas, em um total de R$ 1,015 bilhão. Já os pagamentos de novembro vencem no décimo dia de dezembro.

Sobre décimo terceiro, o governo estadual informou que o de 2017 ainda não venceu e o que está em aberto - o 2016 - o “valor pendente será pago com o ingresso dos recursos da operação de crédito”. Ou seja, ainda sem dada prevista.



‘SITUAÇÃO É MUITO PIOR ESSE ANO’

Para o coordenador do Movimento Unificado dos Servidores Públicos (Muspe) e presidente da Associação dos Bombeiros Militares do Estado do Rio de Janeiro, Mesac Eflain, o fim de ano dos servidores - que já foi crítico em 2016 - esse ano será muito pior.

— Estamos num cenário muito caótico porque, no ano passado, era apenas uma folha de pagamento atrasada. Este ano são três folhas de pagamento e mais o 13º salário. Além disso, sem previsão para o pagamento do 13º de 2017. A situação se tornou insuportável. O sentimento é de descontentamento e frustração, após a promessa não cumprida pelo governador de que até o fim de novembro os servidores seriam pagos. Ele nos prometeu pessoalmente. Diante disso, aumenta ainda mais a angustia. Os servidores estão em situação precária, alguns passando fome e até com quadro de depressão. Fazemos um apelo ao governo federal para que nos socorram e, de fato, tenha uma recuperação fiscal. Não temos mais a quem recorrer — lamentou.

No início de novembro, o governador Luiz Fernando Pezão já havia dito que não garantia que quitaria integralmente a dívida com o servidores ainda este ano. Ele dissera que contaria com antecipação de royalties futuros do petróleo para fazer este pagamento.



VEJA A SITUAÇÃO DE PAGAMENTO DOS SERVIDORES


SALÁRIO DE SETEMBRO


Os vencimentos de setembro foram pagos integralmente para 395.472 servidores ativos da Educação, Degase e Fazenda, assim como ativos, inativos e pensionistas da Segurança - um total de R$ 1,254 bilhão. A Saúde utilizou parte de seus recursos para pagar uma parte dos seus servidores ativos, assim como Meio Ambiente. O Tesouro Estadual também pagou integralmente a todos os servidores, de todas as carreiras, seja ativo, inativo ou pensionista, que têm salários de até R$ 2.826 líquido.

Segundo a Secretaria estadual de Fazenda, ainda falta pagar os salários de 67.885 pessoas, o que corresponde a R$ 353,9 milhões. No entanto, não há como detalhar quais categorias não receberam, porque em um universo de cerca de 460 mil, faltam 60 mil servidores, que estão distribuídos em várias categorias.

SALÁRIO DE OUTUBRO


Foram quitados os salários de outubro para 255.810 ativos da Educação, Degase e Fazenda; e ativos, inativos e pensionistas da Segurança, em um total de R$ 1,015 bilhão. Estão pendentes os vencimentos para 206.893 servidores, um montante de R$ 576,7 milhões.

SALÁRIO DE NOVEMBRO


Os pagamentos de novembro vencem no décimo dia útil de dezembro.

13º SALÁRIO DE 2016


Um total de R$ 1,2 bilhão referente ao 13º salário de 2016 ainda não foi pago para 124 mil servidores ativos e 103 mil aposentados e pensionistas. Apenas R$ 477 milhões já foram depositados para 98 mil ativos e 147 mil inativos e pensionistas. Só receberam os servidores ativos da Educação e da Secretaria de Estado de Ambiente, além da Procuradoria do Estado – por força de decisão judicial - e de empresas e órgãos que custearam a folha com recursos próprios, como o Detran, o Detro, a Loterj, a Agenersa, a Jucerja, a Agetrasnp, o Inea e o Ipem. Por causa de recursos recuperados com a Operação Lava-Jato, inativos e pensionistas de todos os órgãos que ganham até R$ 3.200 também tiveram o 13º pago integralmente.



13º SALÁRIO DE 2017



O 13°, que costumava ser pago em duas parcelas, até agora não tem data certa pra cair na conta dos servidores e seu depósito sequer está garantido até o fim do ano. Antes do agravamento da crise, o governo estadual adiantava a 1ª parcela no mês de julho - situação que já não acontece mais desde 2016.



A OPERAÇÃO DE CRÉDITO



Segundo a Secretaria estadual de Fazenda, a liberação do empréstimo de R$ 2,9 bilhões ao governo está em fase de negociação. O estado informou que está atendo a algumas exigências e, por isso, ainda não protocolou o pedido de empréstimo ao Tesouro Nacional.

“Toda operação de crédito de um ente subnacional, com garantia da União, deve seguir um procedimento específico definido pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Para o protocolo da operação de crédito na STN, é necessário o envio de versões finais dos contratos que, no momento, encontram-se em negociação (contrato do mútuo, contrato de garantia e contrato de contragarantia); para a assinatura final do contrato, estão ocorrendo conversas diárias entre as partes, que vão resultar, em breve, na conclusão do processo e ingresso dos recursos no caixa do estado; assim que o empréstimo for efetuado, os recursos serão integralmente usados para a regularização do pagamento dos salários dos servidores ativos, inativos e pensionistas,” diz trecho da nota.

A secretaria afirma ainda que a conclusão do “complexo processo de liberação dos recursos”, que depende do aval do Tesouro Nacional, ocorrerá em breve e será imediatamente informada aos servidores e toda a sociedade. Além disso, o governo disse que “não tem medido esforços na interlocução diária com o BNP Paribas e o Tesouro Nacional, para que os recursos vindos do empréstimo ingressem o mais rapidamente possível em caixa”.





Fonte:  O GLOBO

2 comentários:

  1. Boa noite! por que na previsão de quem já recebeu seus salários em dias e também o 13º não entram os poderes judiciários e legislativos. Não são eles funcionários públicos e também não recebem com dinheiro oriundos de arrecadações de taxas e impostos?

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  2. ESSES GOVERNANTES,TEM QUE IR PARA AS "PARÍBAS QUE OS PARIU".

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