segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Participação na obra do Maracanã foi uma contrapartida por anel para Adriana Ancelmo, diz Cavendish

Joia teria sido comprada em 2009, durante viagem de Cabral com o empresário a Nice, na França.


O empreiteiro Fernando Cavendish chega à sede da PF para prestar depoimento (Foto: Reprodução/GloboNews)

O empresário Fernando Cavendish disse nesta segunda-feira (4), em depoimento na 7ª Vara Federal Criminal, que a participação da Delta Engenharia no consórcio da reforma do Maracanã para a Copa de 2014 foi uma contrapartida pelo anel que ele comprou para a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB).


“Ele me disse que estava presenteando a esposa e gostaria que eu pagasse. Era um valor bastante significativo, 220 mil euros. Disse para ele que aquilo não era apenas um presente, que a gente teria que acertar. Deixei claro que aquilo não era apenas um presente. O Maracanã foi a contrapartida. Aquilo era um anel de compromisso entre mim e ele”, disse Cavendish, sobre a joia, segundo o empresário adquirida em Nice, França em 2009, na companhia de Cabral.


O anel foi adquirido dias antes de um aniversário de Adriana Ancelmo. O ex-governador já tinha confirmado a compra da joia, classificada então como presente e disse que o anel foi devolvido. Pouco antes do depoimento de Cavendish nesta segunda, o ex-executivo da Odebrecht Benedicto Barbosa havia afirmado que a Delta foi imposta no convênio do Maracanã pelo ex-governador Sérgio Cabral. A Delta ficou com 30% de participação do consórcio.


Segundo Cavendish, a Delta pagou cerca de R$ 3,5 milhões ao esquema comandado por Cabral por meio de Carlos Miranda. O pedido de propina, segundo Cavendish, foi feito pelo próprio ex-governador. Assim como as outras empresas, segundo os depoimentos, a Delta também tinha que pagar propinas para participar das obras do Maracanã.


“O valor do anel acabou virando parte das prestações exigidas pelo esquema. Serviu como uma espécie de amortização”, avaliou Cavendish.


Cinco réus investigados pela Operação Lava Jato do Rio são interrogados nesta segunda-feira (4), no Tribunal Regional Federal, na Zona Portuária do Rio. Eles foram citados na Operação Crossover, que apura fraudes nas obras de reforma do Estádio do Maracanã e no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Favelas. A audiência começou por volta das 13h40, com o depoimento de Ricardo Pernambuco, da Delta.




Fonte: G1

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