domingo, 3 de dezembro de 2017

Servidores completam um ano sem o 13º de 2016: ‘Quando cair não vai sobrar nada’

Waldo ao lado da mãe, Wilma, somam dívidas e problemas para bancar o dia a dia sem salários


Sem motivos para festejar, o Estado do Rio completa, neste mês de dezembro, um ano de atraso no pagamento do 13º salário de 2016 para boa parte dos servidores públicos. Segundo a Secretaria estadual de Fazenda e Planejamento, há cerca de 227 mil ativos, inativos e pensionistas aguardando o abono, que já sofre com a defasagem em relação à alta do custo de vida no período. Todos os que não receberam o adicional de fim de ano terão uma perda real de até 2,77% (se computada a prévia da inflação entre dezembro de 2016 e novembro de 2017).

Entre os milhares de servidores que aguardam a quitação da dívida está a família Temporal. Waldo, de 60 anos, é policial civil aposentado e cuida da mãe Wilma, de 87, pensionista do Rioprevidência. A vida estabilizada de anos atrás ficou na lembrança. Hoje, os dois lutam para pagar as contas e as dívidas que se acumulam. Para piorar, a saúde da idosa tem piorado em função da falta de tratamento.

— O dinheiro que não nos pagaram no ano passado seria para quitar dívidas. Com isso, foram se acumulando. Minha mãe sofre com problemas nas pernas e já dá sinais do mal de Alzheimer. Tive que cancelar o plano de saúde em função dos atrasos de nossos pagamentos — disse ele.

Segundo Waldo, somente com a compra de remédio, a despesa mensal passa de R$ 600.

— Temos vencimentos relativamente altos, na casa de R$ 15 mil cada um. Mas ela não recebe, e eu ainda aguardo o 13º do ano passado. No meu contracheque batem, por mês, mais de 20 empréstimos. No fim, o que sobra não dá para muita coisa. Quando cair o 13º não vai sobrar nada — disse o ex-policial civil.

Para Helio Zylberstajn, professor do departamento de Economia da Universidade de São Paulo, a perda em função da inflação pode ser considerável em alguns casos.

— Temos a tendência de 2,7% de defasagem para o período. Esse percentual sobre um salário acima de R$ 4 mil, pode causar defasagem de R$ 100. Para quem ganha R$ 15 mil, o peso pode chegar a R$ 500.

No caso de Waldo, a perda pela inflação fará diferença.

— Para quem recebe com atraso. Esses R$ 500 seriam utilizados para pagar a farmácia do mês — lamentou.





Fonte: Extra

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