sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Após promoções sem concurso, PM do Rio tem mais chefes que soldados

Distorção agrava improvisos na segurança e buraco nas contas

Uma medida adotada pelo governo do Rio na década de 1990 e acentuada ao longo dos anos levou a Polícia Militar a um colapso em sua organização hierárquica. Houve uma promoção desmedida de policiais ao posto de sargento e, na prática, a patente passou a ter mais homens do que seus subordinados, os soldados.

Na ruas do Estado, a situação levou a improvisos operacionais e interferiu diretamente na qualidade do policiamento, segundo especialistas em segurança pública. Foi também um agravante para as finanças do Rio --já que os salários ficaram maiores, mesmo sem mudança de tarefas.
Policial militar do Rio na zona norte do Rio de Janeiro - Danilo Verpa/Folhapress

Esse cenário é um dos problemas para a intervenção na segurança estadual, decretada pelo presidente Michel Temer (MDB) e aprovada pelo Congresso nesta semana.Caberá ao general do Exército Walter Braga Netto, nomeado interventor, comandar as polícias Militar, Civil, bombeiros e montar as estratégias para conter a violência.

Segundo dados da PM fluminense obtidos pela Folha, a corporação tem cerca de 46 mil homens e mulheres na ativa. Desse total, praticamente um terço (15.070) é composto por sargentos --policial que, pela hierarquia militar, fiscaliza e orienta os subordinados e dá padrão às atividades desenvolvidas.

Já os soldados eram só 14.872 até meados do ano passado e os cabos, 7.319. "É mais cacique do que índio", afirma a antropóloga Jacqueline Muniz, professora do Departamento de Segurança Pública da UFF (Universidade Federal Fluminense) e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O contingente em São Paulo é de 84.652 PMs, que incluem os bombeiros. Do total, há 10.604 sargentos, 31.555 soldados e 35.836 cabos.
HISTÓRICO

A distorção teve início no ano eleitoral de 1996, quando o então governador Marcello Alencar (PSDB) criou um plano de carreira que previa a promoção de soldados, cabos e sargentos da PM pelo tempo de serviço. Dessa forma, um soldado com dez anos de serviço se tornaria cabo e, cinco anos depois, era promovido a sargento sem a necessidade de passar por concursos ou outra medição de meritocracia.


A situação foi agravada com a alteração do decreto em 2012, na gestão Sérgio Cabral (MDB). O primeiro intervalo de promoção foi reduzido de dez para seis anos. O segundo, de 15 para 12 anos.


Também foi alterada a obrigação de o PM ter uma ficha com classificação de comportamento "ótimo" e "excepcional". Para ser promovido precisaria estar no "bom".

Até o final do passado, segundo documentos obtidos pela reportagem, o deficit no número considerado ideal de soldados na corporação era de 22.410 vagas, enquanto os cargos de sargento tinham excedente de 8.086 policiais. "Eles inverteram e perverteram a cadeia de comando. Ela foi sabotada internamente por interesses eleitoreiros", diz a antropóloga da UFF.

Em SP, por exemplo, um soldado pode se tornar cabo e, depois, só vira sargento mediante aprovação em um concurso interno da polícia.
IMPROVISO

A quantidade de sargentos não representa redução do efetivo de patrulhamento na rua. Mas graduados são escalados em funções subalternas, gerando cenas incomuns no meio militar --como um sargento dirigindo para outro sargento um carro de patrulha.

Também há sargentos como sentinelas nas entradas de batalhões, conforme a Folha constatou ao longo da semana, posições geralmente destinadas a soldados recrutas. Essa banalização da função de sargento traz efeitos para toda a cadeia de comando porque se perde a essência do cargo de fiscalizar e orientar os subalternos e exigir o cumprimento de regras e boas práticas na função.


Na prática, as ruas do Rio contam com um policiamento mais caro (já que o salário de um soldado é de R$ 2.743, contra R$ 4.236 de um sargento) e menos eficiente. "Você perde um soldado, mas não ganha um sargento", diz o especialista em segurança José Vicente da Silva (coronel da reserva da PM paulista), que classifica a situação do Rio como "aberração".

Em São Paulo, afirma o coronel, um policial para se tornar sargento precisa ser primeiro cabo da PM e, depois, participar de concorrido concurso e, se aprovado, frequentar curso de aperfeiçoamento profissional por um ano. Para o sociólogo Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os dados demonstram um "colapso organizacional" do policiamento ostensivo no Rio.

"A situação mostra que a estrutura da polícia precisa ser revista. Precisa de uma rearquitetura. O sargento é o elo de supervisão, assim como tenente, tem outro perfil na tropa", afirma Lima.
DESEQUILÍBRIO

O desequilíbrio da tropa no patrulhamento das ruas do Rio se agravou nos últimos 12 anos em razão da política de implantação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), com o discurso de utilizar soldados recém-formados, não "contaminados" pelo alto índice de corrupção da tropa fluminense.

Essa política levou a uma concentração de quase metade de todos os soldados da PM do Rio trabalhando nas UPPs. Eram no ano passado 7.167 homens espalhados em 38 comunidades fluminenses.

Nessas unidades, o número de soldados chegava a quase 80% do efetivo. Nos batalhões de área, responsáveis pelo patrulhamento do "asfalto", esse número não chega 20%.


Exercito, Policia Civil de Militar ocuparam as comunidade Kelson, região Norte, do Rio de Janeiro dando inicio a Intervenção Federal no Estado Danilo Verpa - 20.fev.2018/Folhapress

Para o coronel da reserva Carlos Fernando Ferreira Belo, presidente da associação dos oficiais do Rio, a política da implantação das UPPs não respeitou as particularidades da estrutura militar ao dar aos capitães dessas unidades uma tropa maior do que a de batalhões da mesma região sob comando de coronéis.

"Há áreas em que capitães comandam 600 homens e o coronel, 150", afirma. Questionada, a PM do Rio não se manifestou.

Fonte: FOLHA

12 comentários:

  1. Brincadeira agora paisano da dica de militarismo no RJ eita estadozinho de merda parece até que sao Paulo,e outros estados está tudo funcionando nos mínimos detalhes e não tem corrupçao e nem trafitr de drogas ainda temos que ouvir isso.

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    1. Podem mexer e falar do que quiserem, né? Mas falar das divisas avanço aí é problema na certa. A matéria tem fundamento, coerência e razão. Não é possível que idiotas fiquem tão cegos por ganharem divisas sem ganhar salário digno. É melhor ser soldado ganhando dignamente, tendo a responsabilidade de soldado, a ser sargento sem conhecimento de causa, dando serviço de soldado porque enxovalha as graduações, pois não há compromisso com o cargo, apenas para ganhar centavos a mais e massagem no ego.

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  2. Tem que tirar esse povo de outros orgaos e trazê-los aos seus lugares de origem para serem bombeiros e PMs pois foi o concurso que fizeram

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  3. Incrível essa reportagem não ter feito referência aos oficiais... Será que existem quantos Tenentes, Capitães, Majores, Tenentes-Coronéis e Coronéis nas corporações estaduais??? Será que o jornal "Folha de São Paulo" sabe que o Major já não sai mais pra serviço na rua??? Será que sabe que o Estado do Rio paga um dos menores soldos do Brasil??? Ah sim a culpa é sempre das praças... Putz!!! Só Deus.

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    1. Isso aí. Ficam ventando que o militar foi promovido por tempo de serviço, mas quando que o oficial fez prova para suas promoções? Nunca! E ainda garantem o acesso ao último posto ao completar 32 anos de efetivo serviço à corporação. Mas como sempre, a culpa das mazelas é dos praças. A promoção visou apenas aumentar o salário, ninguém iria preferir ser Sgt ganhando 3 mil se pagassem 4 a Sd. Não é graduação, é dinheiro.

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  4. O Estado do Rj tá quebrado por culpa dos funcionários??? Quem está preso mesmo e por quê??? Foi A gangue do Cabral -do pmdb - que ferrou o estado. Tão achando que somos otários... Ah vá pra ...

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  5. Mas ninguém falou que é o soldado mais mal pago do Brasil.

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  6. Como o Blog ainda se propõe a propagar uma notícia que cai contra a tropa? O que está acontecendo?
    Esqueceram de citar que em São Paulo um soldado ganha mais que um terceiro SGT do RJ.

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  7. O Estado está quebrado por conta da corrupção! Reportagem de merda!

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  8. o plano de carreira foi uma grande conquista dos praças feito no governo marcelo alencar
    no antigo plano de carreira eram 20 anos para ir a cabo e 28 para ir a sargento estando no comportamento ótimo
    quem tem mais de 25 anos de serviço lembra como eram as covardias dos comandantes maldosos que na semana da promoção puniam o praça para ele perder a promoção de juruna
    enquanto isso os peixes caiam de paraquedas no cfc e cfs e não passavam pela juruna
    o plano de carreira veio trazer um pouco de justiça para o praça que antigamente a maioria ia embora como soldado ou cabo

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  9. CBMERJ,FÁBRICA DE OFICIAIS.

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  10. Que matéria tosca! E o salário?

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