quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Bombeiros querem barrar desfiles de 33 blocos

Corporação exige laudo de estruturas para liberar Carnaval, mas os grupos alegam não terem sido notificados

Bombeiros terão direito a reajuste salarial

A poucos dias do Carnaval, blocos tradicionais do Rio foram pegos de surpresa com uma exigência do Corpo de Bombeiros que coloca em risco a realização dos desfiles. Segundo a corporação, 33 blocos não se adequaram às normas técnicas e não possuem permissão para se apresentar, mesmo com o aval da prefeitura. A lista inclui nomes como Escravos da Mauá, Orquestra Voadora e Banda da Rua do Mercado, que há anos arrastam multidão pelas ruas da cidade.

De acordo com os Bombeiros, todos os blocos que possuem montagem de estruturas, como palcos, torres de som e luz ou trio elétrico devem cumprir as exigências previstas no decreto 45.553, de 2016. Para ter o aval, os responsáveis devem enviar laudo técnico à corporação, com autorização do uso das estruturas, e não apenas apresentar ofício comunicando o evento.

O fundador da Banda da Rua do Mercado, Ricardo Moraes, que há 20 anos desfila no Centro, negou ter sido notificado sobre a exigência. "Sempre tivemos cuidado de providenciar a documentação junto à Riotur, PM e órgãos responsáveis. Avisamos sobre o percurso do desfile, como fazemos todo ano. Ninguém nos exigiu nada. O Corpo de Bombeiros nunca teve uma atitude como essa com a gente", lamentou.


Moraes garantiu que irá buscar uma solução junto com representante de outros blocos. "Se tiver um monte de burocracia para nos impedir de montar um palco, nós vamos sair na rua, sem palco. Não deixaremos de desfilar por causa de exigências. O ruim é ser avisado na última hora", completou. O desfile da Rua do Mercado está marcado para o dia 8.

Ricardo Sarmiento, um dos fundadores do Escravos da Mauá, enviou um ofício ao Corpo de Bombeiros, em dezembro, comunicando sobre o desfile. Segundo ele, a corporação não retornou com exigências técnicas. "Nunca tivemos problema com os bombeiros. Essa informação nos pegou de surpresa. O único documento que tenho é o protocolo confirmando que eles receberam meu ofício", comentou. A apresentação do bloco está prevista para domingo, na Região Portuária. Os dois grupos alegam ter autorização da prefeitura para desfilar, mas a Riotur informou que faz apenas o ordenamento do evento, ressaltando a necessidade das autorizações da PM e dos bombeiros.

A presidente da Sebastiana, liga de blocos da Zona Sul e Centro, lamentou o imbróglio. "Aos bombeiros e à polícia o que os blocos têm de fazer é simplesmente informar seu trajeto, data, horário e expectativa de público. Cada dia inventam algo novo que ninguém sabe de onde veio".