quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Comandante de Batalhão da Recreio critica Pezão: 'Deveria ser o primeiro a sair'


Tenente-coronel Wagner Mello criticou o governador em Conselho Comunitário de Segurança




Autoridades da segurança demonstraram descontentamento com o decreto da intervenção federal no Rio. Na reunião do 31º Conselho Comunitário de Segurança (Barra, Recreio e Vargens), na manhã desta terça-feira, o comandante do 31º BPM (Recreio), tenente-coronel Wagner Mello criticou o governador Luiz Fernando Pezão por ter declarado que não houve planejamento no combate à violência durante o carnaval. Já a delegada Marcia Julião, da 42ª DP (Delegacia Policial), disse que a intervenção forja a imagem de que a polícia é incompetente.

— Todos nós fomos surpreendidos com a declaração de Pezão de que não houve planejamento para a segurança do carnaval. Se o chefe do Executivo diz isso, ele deveria ser o primeiro a sair — afirmou o comandante Mello, para aplausos do público presente no Marina Barra Clube.

Mello lembrou que, na semana antes do carnaval, os comandantes dos batalhões da cidade foram convocados ao evento sobre segurança pública organizado pela Firjan, com presença de autoridades federais e estaduais.

Ele disse que houve pedido para formulação de propostas para a àrea que trouxessem resultados a curto prazo, mas que não comperometessem o orçamento público do Rio. Mas, segundo o tenente-coronel, as ideias não foram levadas adiante pois a intervenção já estaria sendo preparada.

— Uma das propostas seria o fim das UPPs e a redistribuição do efetivo. Mas dias depois o Pezão disse que não acabaria com UPP. Ele já sabia que ia ter intervenção — explicou Mello, que também culpou o "sensacionalismo" com os episódios de violência do carnaval para aumento da sensação de insegurança:

— Nós tivemos índices melhores que o carnaval do ano passado e iguais aos de 2016, quando o efetivo e os recursos eram maiores. Ainda não sei exatamente o que está por trás dessa intervenção.

Apesar da desconfiança sobre motivações políticas, no fim de sua fala, Mello ponderou que o resultado pode até ser positivo, caso os esforços sejam somados.

— Apesar do Exército também sofrer com sucateamento, vide problemas nas fronteiras, esperamos que nos ajudem. Meu temor é que se der errado vão culpar a PM.

No mesmo tom, a delegada da 42ª DP, Marcia Julião, criticou o desprestígio das polícias. Ela chegou a destacar que sua delegacia depende da ajuda da iniciativa privada para manter a estrutura.

— Com essa intervenção, parece que a polícia é incompetente. Mas estamos falidos, tenho pena de ver o Rio assim. Independente disso, vamos continuar fazendo nosso trabalho — afirmou a delegada, que defendeu mudanças na legislação penal, como penalização do uso de simulacro de armas, como solução para violência.





Fonte:  O GLOBO

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