domingo, 6 de maio de 2018

Sete bombeiras atuam nas buscas por vítimas de desabamento de prédio em SP

Elas representam menos de 10% do efetivo que trabalha desde a madrugada de terça (2) no local. No estado, patente máxima concedida a uma mulher é a de capitão

Soldado Tannús, uma das mulheres do efetivo que atua no desabamento de prédio (Foto: Divulgação/COM SOC CB - Cb PM Arrais)


Dos 80 profissionais do Corpo de Bombeiros que atuam desde a madrugada de terça-feira (1°) no desabamento de um prédio no largo do Paissandu, no Centro de São Paulo, menos de 10% são mulheres.


“Hoje nós estamos trabalhando com efetivo de sete mulheres, sendo duas capitães, uma tenente e quatro praças. Dessas bombeiras, as capitães e a tenente desenvolvem funções de comando, gerenciamento, supervisão. E as praças desenvolvem trabalhos de execução, como o de busca-resgate em estruturas colapsadas e controle e extinção de incêndio”, explica a capitão Luciana.

Capitão Luciana, uma das sete mulheres que atuam desde de terça (1º) do desabamento de prédio no Centro de SP (Foto: Lívia Machado/G1)

Na noite desta sexta (4), ela era uma das responsáveis pelo planejamento da operação no local. Segundo a capitão, a presença feminina na corporação cresceu nos últimos anos, mas segue distante de deixar a classificação de minoria.


“Vem sendo conquistada aos poucos, ainda não é uma profissão que nós dividimos os mesmos quadros”, confirma.


Dos cerca de nove mil profissionais do Corpo de Bombeiros paulista, menos de 500 são mulheres.


Luciana ainda revela que, no estado, a patente máxima concedida a uma bombeira é a de capitão – e já são mais de 25 anos desde entrada de profissionais femininas na corporação. “Ainda não tem nenhuma mulher no cargo de coronel, tenente coronel ou major”, conta.


A capitão garante, porém, que apesar da estatística, não se recorda de ter vivido episódios de misoginia durante o ofício.

Capitão Rafaela em um dos postos de comando das equipes que atuam nas buscas no prédio que desabou em SP (Foto: Divulgação/COM SOC CB - CB PM Arrais )


Soldado Ana Flávia durante os trabalhos noturnos desta sexta (4) no local onde o prédio desabou após incêndio em SP (Foto: Divulgação/COM SOC CB - Cb PM Arrais)



“O trabalho é exatamente o mesmo, como o treinamento é o mesmo. Todas têm condições, capacidades e treinamento para exercer as atividades igualmente as do homem, não tem distinção. Posso dizer com propriedade porque estou há 22 anos na corporação. Nunca me senti excluída, desvalorizada ou que alguém desacreditasse na minha capacidade.”


Também presente na equipe desde o início dos trabalhos, a tenente Roberta participou da tentativa de resgate de Ricardo de Oliveira Galvão Pinheiro. O corpo dele foi localizado sob os escombros nesta sexta (4).

Tenente Roberta, que participou da tentativa de resgate de Ricardo Pinheiro, que caiu quando o prédio desabou em SP (Foto: Lívia Machado/G1)

Ela estava no 13° andar do prédio vizinho, por onde era feito o trabalho dos profissionais, quando o imóvel, já em chamas, desabou.


“Participei desde o comecinho. Eu estava a dois andares de chegar nele com mais equipamentos para puxá-lo também. Quando infelizmente separou os dois prédios, a corda não sustentou. Os bombeiros ficaram em cima do prédio e a vítima infelizmente veio a cair. Estávamos nos corredores de escada, estourou as janelas, caíram muitas fagulhas e pedras em cima da gente também”, narra.

Segundos antes do desabamento, Ricardo quase foi resgatado por bombeiro (Foto: Reprodução/TV Globo)



Fonte:  G1

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