sábado, 30 de junho de 2018

Estado do Rio completa 20 dias com sistema de dados fora do ar; veja os serviços afetados

Avisos indicam que sistema está fora do ar


O Estado do Rio de Janeiro parou no tempo desde 10 de junho. Ao menos, é isso o que acontece com os órgãos e serviços que dependem do computador principal do Centro de Tecnologia do estado, o Proderj. Operações como o pagamento da dívida ativa, das taxas de incêndio e de procedimentos administrativos do Detran-RJ completam, hoje, 20 dias de um completo apagão. Enquanto isso, a população sofre sem ter à disposição serviços essenciais.

— Tentei fazer o licenciamento anual do meu carro e descobri que estava inscrito na dívida ativa. Com esse problema na cabeça, tentei fazer o pagamento, pela primeira vez, no dia 13 de junho e nada me foi passado. Voltei no dia 28 e me explicaram que o sistema seguia fora do ar — lamentou o aposentado Luiz Gonzaga Santos.

Aviso é distribuido na entrada da inspetoria da divida ativa



Nas inspetorias da dívida ativa, mantidas pela Secretaria de Fazenda e Planejamento, informativos foram colocados nas entradas, indicando a queda no sistema do Proderj. Ontem, quem chegava à inspetoria da Rua do Carmo, no Centro, com o intuito de pagar alguma pendência, era informado do problema por uma servidora.

— Venho tentar quitar a minha pendência com o estado desde o início do mês. Preciso fechar a loja que tenho, gastar dinheiro com transporte para dar de cara com o sistema fora do ar. Esta é a sexta vez que venho até aqui sem conseguir resolver o problema — disse o comerciante Alex Costa.

Entre os servidores públicos do Proderj, a preocupação é sobre a integridade dos dados. Os funcionários aguardam a retomada do sistema principal para saber se os discos reservas serão capazes de recuperar uma possível perda de dados. Eles não descartam o risco de o estado perder semanas, meses ou até mesmo anos de informação.

Procurado, o Proderj informou que, desde o início do problema, “foi criado um comitê de crise para solucionar o problema”. Ontem, o computador principal foi reiniciado. O órgão informou, ainda, que nos próximos dias serão restaurados os arquivos reservas para recuperar possíveis dados perdidos. A nova previsão de restabelecer os sistemas passou para a próxima terça-feira, 3 de julho. Sobre uma possível perda de dados, o Proderj negou que exista esta possibilidade.

Quanto ao prejuízo com o não pagamento da dívida ativa, a Procuradoria-Geral do Estado informou que ainda não tem uma estimativa. O Corpo de Bombeiros, responsável por gerenciar o pagamento da taxa de incêndio anual, também informou que não tem como estimar o prejuízo com a queda do sistema.

Sem manutenção


Os servidores do Proderj lembraram que o contrato de manutenção do equipamento responsável pelo armazenamento de dados (conhecido como storages) não foi renovado pelo estado. O próprio Proderj confirmou que a empresa contratada deixou de prestar o serviço em 11 de outubro de 2016.

A autarquia se defendeu, porém, reforçando que houve acompanhamento sobre os equipamentos nos últimos anos. A empresa contrata, em 2015, para realizar a manutenção e reparo de peças foi a Decision Serviços de Tecnologia da Informação. Em outubro de 2016, diante da dívida de R$ 330 mil — de um contrato com valor global de R$ 660 mil — a empresa deixou de prestar os serviços contratados.

Ainda segundo os servidores do Proderj, os últimos 20 dias são consequência da política adotada pelo estado quanto a área de tecnologia da informação. Desde 2015, a autarquia deixou de operar serviços importantes, como a folha de pagamento de todos os servidores do Executivo — que passou para a Secretaria de Fazenda e Planejamento.

— Falta de investimento, falta de pessoal, falta de atualização do parque tecnológico. O que percebemos é o esfacelamento do órgão. Isso se transforma em uma grande bola de neve — lamentou Julio Faustino, vice-presidente da Associação de Servidores do Proderj (ASCPDERJ).

Vereadores do Rio sem salário. Alerj improvisa


Diante da queda do sistema do Proderj, a Câmara de Vereadores do Rio informou aos vereadores e servidores que não conseguirá depositar os salários de junho no dia 1º de julho. Como a operação da folha é feita pelo Proderj, não há como enviar os dados para o processamento bancário. Todos os vinculados terão de aguardar a volta do sistema para receberem, também, a 1ª parcela do 13º de 2018.

Já a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) decidiu replicar a folha de maio para “pagar” o salário de junho. Quem foi exonerado durante o mês, não receberá o vencimento proporcional. A Alerj promete rodar uma folha suplementar assim que o Proderj retomar sua operação.



Fonte:  EXTRA

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