terça-feira, 18 de setembro de 2018

Alvo no incêndio do museu, Bombeiros são escanteados pela intervenção federal

Corporação não é prioridade no plano estratégico desenhado por gestores




Alvos de críticas no combate aos incêndio no último dia 02, o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, tem sido escanteado pela intervenção federal, à qual está subordinado desde fevereiro deste ano.


Poucos parecem se lembrar de que o órgão é um braço da segurança pública e, assim como as polícias e o sistema prisional, estará sob comando do general Walter Braga Netto nomeado interventor por Michel Temer (MDB), até 31 de dezembro próximo.

Pesquisa Data Folha  da semana passada mostra que 72% dos moradores do estado são a favor da continuidade da intervenção após isso.

Até aqui, as medidas adotadas para melhorar os Bombeiros raramente são divulgadas à população, ao contrário de informações sobre operações em favelas do estado e compras de equipamentos para as polícias,  por exemplo.

"Como o interventor não costuma dar entrevistas e o gabinete não divulga as ações, fica a impressão de que pouco tem sido feito", diz Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O órgão também não é tratado como prioridade no plano estratégico desenhado pelos gestores.  Apenas 9 das 66 metas e 10 das 70 ações elencadas citam o Corpo de Bombeiros ou a Secretaria de Estado de Defesa Civil, ao qual ele é subordinado. Eles em geral são mencionados em itens mais genéricos, junto a outros órgãos de segurança.


"Não tem nenhuma ação consistente prevista para os bombeiros. Só lembramos deles quando acontece uma tragédia", afirma o professor da UnB (Universidade de Brasília) Arthur Trindade, que é ex-secretário de Segurança do DF.

Sobre as medidas prometidas, a intervenção diz que "planejou a elaboração de dez projetos" de gestão, entre eles um logístico e um administrativo financeiro, e projetos de "preparação de transição", para quando a intervenção acabar. Também afirma que criou um grupo de trabalho que vai propor aperfeiçoamentos nos planos de carreira. Mas não detalhou o que esses projetos mudam na prática para os bombeiros ou a população. 

Para um bombeiro entrevistado pela Folha sob condição de anonimato, até o momento, "a rigor, não mudou nada, a não ser a presença de militares no prédio" em que trabalha. Ele diz que vários colegas vibraram com a chegada da intervenção, mas agora a impressão é que não resolveu os problemas estruturais.

Entre esses problemas, ele cita a alta quantidade de cargos de chefia ao invés de cabos e soldados para trabalhar nas ruas —uma crítica frequente ao Corpo de Bombeiros do Rio, que a corporação nega e que não sofrerá alterações pela intervenção.

A corporação do RJ é dotada de um efetivo maior até que o de São Paulo, com quase 14 mil homens e mulheres. Há um a cada 1.200 cidadãos, contra 5.200 no estado paulista. Mesmo assim, apresenta índices inferiores: menos viaturas, atendimentos, autorizações contra incêndio emitidas e bombeiros treinados.

Três especialistas em segurança consultados pela reportagem chamam a atenção ainda para uma falha grave da intervenção federal, evidenciada pela tragédia do Museu Nacional: não parece haver uma preocupação em mudar procedimentos de prevenção e contenção de incêndios.

"A checagem de áreas críticas depende da intervenção. É preciso mapear e prever todos os riscos potenciais em locais como prédios históricos, portos e avenidas, como é feito em Nova York. Se esperava que houvesse uma correção de rumos", diz o coronel reformado da PM de SP José Vicente da Silva, consultor na área.

Eles cobram a elaboração dos chamados planos de contingência, que descrevem o que deve ser feito em caso de acidente em determinado lugar. "O Corpo de Bombeiros tem que ter um plano de contingenciamento, ainda mais considerando que o Rio está cheio de prédios antigos", ressalta o professor Arthur Trindade, da UnB.

Questionado, o Corpo de Bombeiros do RJ afirmou que "não existe pedido de plano de contingência para a corporação" e que "a atuação dos bombeiros é baseada em uma série de procedimentos operacionais padrão elaborados internamente com base em experiências científicas e empíricas".

No caso do museu, na zona norte do Rio, a corporação foi criticada por demorar para começar a conter o fogo, o que pode ter aumentado os danos ao acervo de mais de 20 milhões de itens. Eles dizem que os hidrantes estavam sem pressão, o que a Cedae (Companhia Estadual de Água e Esgoto) contesta.


O palacete não tinha autorização dos bombeiros para funcionar e não atendia aos requisitos básicos de segurança, como extintores, iluminação e saídas de emergência. A direção do museu procurou o órgão no começo de agosto para regularizar a situação, mas não deu tempo.






Fonte: UOL / FOLHA DE S. PAULO

Um comentário:

  1. ESSE GENERALZINHO NAO RESOLVE OS PROBEMAS DOS BANDIDOS ESTA QUERENDO SE METER COM PROFICIONAIS COMPETENTES QUE SAO OS BOMBEIROS : ATENCAO POPULACAO ASS: ANONIMO

    ResponderExcluir

"O Estado não tem poder algum sobre a palavra, as idéias e as convicções de qualquer cidadão dessa República e de profissionais dos meios de comunicação social." (Ministro Celso de Mello - Supremo Tribunal Federal) - Se identifiquem por gentileza, comentar não é crime!MUITO IMPORTANTE: O foco do movimento é a DIGNIDADE. E é para esse objetivo que o blog existe. Por isso, comentários que não compartilhem do mesmo objetivo poderão ser removidos. Não podemos publicar ofensas! Não insista! Defenda sua ideia ou crítica de forma respeitosa.