terça-feira, 27 de novembro de 2018

Chuva deixa pelo menos 12 famílias desalojadas em comunidades de Niterói

Defesa Civil do município informou que nesta madrugada choveu em uma hora 70% do esperado para novembro no Morro do Preventório

A forte chuva que atingiu a cidade de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, deixou pelo menos 12 famílias desalojadas, de acordo com a  Defesa Civil. Ainda de acordo com a corporação, as famílias atingidas pelo temporal moram nas comunidades do Peixe Galo, em Jurujuba, e do Preventório, em Charitas. Elas foram atendidas pela assistência social de Niterói e optaram por ficar em casas de familiares.

Em Jurujuba, sete casas foram interditadas preventivamente no Peixe Galo na manhã desta segunda-feira. Houve dois pontos de deslizamento na Avenida Carlos Ermelindo Marins, a única via que liga Jururuba a bairros de Niterói: em um deles, um muro desabou, sem vítimas; no outro, uma encosta deslizou com a vegetação, invadindo a pista, também sem vítimas. Segundo o tenente-coronel da Defesa Civil estadual Anthony Barreiras, os bombeiros chegaram às 6h45m ao local. Agora, segundo ele, caberá à Defesa Civil municipal decidir pela interdição das casas.
— As pessoas já tinham saído de casa quando houve o deslizamento. Após a limpeza e a retirada de todo o material deslocado, agentes de Niterói vão avaliar a estrutura e decidir ou não pela interdição das casas.
A pista, que havia sido interditada por volta das 7h, foi parcialmente liberada para os carros às 10h55. Ainda de acordo com o tenente-coronel, Jururuba registrava 87,4 milímetros de chuva acumulados na hora do deslizamento, quando, segundo ele, a média para o período de tempo é até 40 milímetros de chuva. A dona de casa Andréa Sant'ana, de 42 anos, conta que os bombeiros solicitaram a saída dos moradores de casa.
— O susto foi grande. Agora pediram para esperar o fim da limpeza para então, depois disso, conversarem com a gente sobre a real situação da estrutura. Estamos apreensivos, sem saber o que pode acontecer.
Na casa do aposentado Celso Borges, de 71 anos, nascido e criado na comunidade, uma pedra escorregou alguns metros, sem causar estragos. A mesma situação de medo vive a aposentada Maria Célia da Silva, de 75 anos, que teme pela sua casa, onde mora há cerca de 60 anos com os filhos e os netos. Com pressão alta, ela conta que ouviu um barulho muito alto no início da manhã, mas achou que era uma batida de carro.
— Eu fiquei bem assustada. Tenho medo de acontecer mais deslizamentos, e a minha casa, que fica logo acima do muro que caiu, despencar aqui, com tudo.
Por volta das 10h desta segunda-feira, funcionários e equipes da Companhia de limpeza municipal (Clin) e da Secretaria de Conservação trabalhavam na limpeza do local, retirando galhos de árvore e terra, e cadastram os moradores da comunidade para a assistência social. O professor Leonardo Veiga, de 31 anos, reclama sobre a falta de sirenes de alerta na comunidade. Nesta segunda-feira, ele não conseguiu ir trabalhar.
A ausência das sirenes no Peixe Galo foi explicada pelo coordenador da Defesa Civil de Niterói e tenente-coronel do Corpo de Bombeiros, Walace Medeiros. De acordo com ele, o município assumiu, em 2015, a operação e a manutenção das 30 sirenes que já haviam sido instaladas pelo Estado do Rio. Ainda segundo Medeiros, a cidade aguarda agora a instalação de outras três sirenes de alerta, duas em Jururuba, onde ocorreu o deslizamento desta segunda-feira, e uma no Morro do Cavalão.

— A instalação dessas novas sirenes é de responsabilidade do Estado do Rio de Janeiro. Nós estamos cobrando e enviamos, há cerca de um mês, um ofício questionando sobre a realização desse serviço. Não recebemos uma reposta oficial até o momento —  explicou o tenente-coronel.
A Defesa Civil do município informou também que, nesta madrugada, choveu em uma hora 70% do esperado para todo o mês de novembro no Morro do Preventório. O secretário pediu para os moradores de Niterói ficarem atentos aos avisos da Defesa Civil que são disparados por meio de SMS. Quem não tiver se cadastrado deve enviar uma mensagem de texto para o número 40199, informando o CEP da residência.
Por volta das 10h desta segunda-feira, cerca de 150 funcionários da Companhia de limpeza municipal (Clin), da Defesa Civil e das secretarias de Conservação, Assistência Social e Saúde atuavam e trabalhavam na limpeza do local, retirando galhos de árvore e terra. Equipes cadastravam os moradores da comunidade para a assistência social. De acordo com moradores, escolas e postos de saúde da região não funcionaram.
Devido aos acumulados significativos de chuva nas últimas horas em pontos de Niterói, a cidade passou do estágio de atenção para o estágio de alerta, às 7h40 desta segunda-feira. Às 8h15m, o Túnel Charitas-Cafubá chegou a ser fechado em razão de alagamento em Charitas. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) também alerta para a possível elevação dos rios em Niterói e São Gonçalo, onde também choveu forte.
No Morro Boa Esperança, em Piratininga, onde, no último dia 10, um deslizamento de terra matou 15 pessoas, a chuva não voltou a castigar os moradores. Segundo eles, não houve o registro de novos deslizamentos na madrugada desta segunda-feira. Na ocasião, oito casas foram destruídas com a queda de uma rocha durante um temporal.
FONTE: O GLOBO