quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Documento revela que 22 unidades de saúde da Prefeitura do Rio não têm sistema anti-incêndio

Corpo de Bombeiros informa que os hospitais Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, e Souza Aguiar, no Centro, não estão regularizados. Sistema de combate a incêndio é obrigatório.


Um documento da própria Prefeitura do Rio mostra que as 22 unidades de saúde não têm sistema anti-incêndio. Funcionários da saúde contaram que além da falta de estrutura falta também treinamento para esse tipo de emergência.
O Corpo de Bombeiros informou que os hospitais Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, e Souza Aguiar, a maior emergência da cidade no Centro do Rio, não estão regularizados pela corporação.
Médicos e enfermeiros do Hospital Lourenço Jorge, ao lado da CER Barra da Tijuca, na Zona Oeste, dizem que nunca receberam treinamento para agir em situações de incêndio. Um deles conta que trabalha há 15 anos na unidade e nunca soube desse treinamento,
“A gente trabalha com plantão, né? Pode ser que tenha acontecido no dia que eu não tivesse.
Mas nesses 15 anos que estou aqui não me lembro de ter participado de nenhum treinamento”, disse uma funcionária.
Outro funcionário que está no hospital desde 2017 disse que nunca teve esse treinamento no hospital.
Um homem, que se apresentou como administrador do hospital, disse que os funcionários já foram treinados.
Ao todo, segundo a própria prefeitura, 21 hospitais municipais e um instituto precisam de obras para fazer o sistema de combate a incêndios. O Corpo de Bombeiros diz que a maioria dos hospitais no Rio não tem o certificado aprovação.
Num documento preparado pela Coordenação de Captação de Recursos da Secretaria de Saúde, a prefeitura pede à Câmara dos Deputados recursos para as obras do sistema de combate a incêndio.
Além do Hospital Lourenço Jorge, a lista inclui as maiores emergências do município, como os hospitais Souza Aguiar, Miguel Couto, Pedro II, Albert Schweitzer, Rocha Faria e Salgado Filho. Algumas unidades têm mais de 300 leitos.
Depois do incêndio deste fim de semana na CER da Barra, o prefeito Marcelo Crivella admitiu que as unidades de saúde municipais não têm brigada de incêndio.
“Não tem em lugar nenhum. Não é obrigatório. Você tem é nesses lugares aqui o cumprimento da lei que são os extintores de incêndio. E uma mangueira lá para dar, na chegada do bombeiro, acesso a água. Graças a Deus os hidrantes aqui estavam funcionando”, disse Crivella.
Segundo os Bombeiros a brigada não é obrigatória, mas o sistema de combate a incêndio sim, com mangueiras e um plano para emergências.
No incêndio da CER da Barra, três pessoas morreram durante a transferência para outros hospitais, no sábado (3). Uma quarta vítima morreu depois de ser transferida para o Loureço Jorge.
Funcionários da prefeitura continuam trabalhando para reabrir a Coordenação de Emergência. Na manhã desta quarta-feira (7), um aviso no portão dizia para os pacientes procurarem o Hospital Lourenço Jorge, ao lado da unidade.
Mas Sandra, acostumada a procurar socorro na CER, não conseguiu ser atendida por nenhum médico. Ela estava com muita dor na coluna.
“Disseram que eu deveria procurar ou a Cidade de Deus, ou a Clínica da Família, ou qualquer outra coisa, porque aqui eles não iam fazer”, disse a paciente.
A direção do hospital informou que a unidade está funcionando normalmente e que não encaminhou ninguém para UPA, mas que casos com indicação de rede primária são direcionados para clínicas da família.
Já a prefeitura informou que unidades mais novas já tem o alvará dos Bombeiros ou estão aguardando a aprovação, como é o caso da CER Barra. A prefeitura admitiu que unidades antigas ainda precisam de adaptações, embora já tenham mangueiras e extintores.
A RioSaúde, que administra a CER Barra enviou uma nota sobre o treinamento dos funcionários. “A RioSaúde possui plano de contingência contra incêndio e seus colaboradores foram treinados pelo grupo de Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho. Tanto que todos foram evacuados a tempo e ninguém se feriu”.

FONTE: G1

Um comentário:

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